Archive for Março, 2008

Carne ou peixe, quando e quanto?

Paula Veloso| in Educare.pt

Uma das maneiras de reduzir os erros alimentares dos portugueses é diminuir o consumo de alimentos de origem animal.
Dos vários nutrientes obrigatórios numa alimentação equilibrada e saudável, as proteínas devem fazer parte da alimentação diária, devendo contribuir com 15-20% do total de calorias da dieta (dieta = total de alimentos ingeridos ao longo do dia). Constituídas por aminoácidos, têm uma indispensável função plástica, fornecendo a matéria-prima para a formação, manutenção e regeneração de células e tecidos.
Conforme o seu conteúdo em aminoácidos (a.a.), assim se designam por proteínas completas ou incompletas. Nas primeiras encontram-se os a.a. essenciais (que não podem ser sintetizados no organismo). As segundas, para se tornarem completas, têm que ser combinadas com outras. São fornecedores de proteínas completas os alimentos de origem animal, como as carnes, pescado, ovos, leite e derivados. Já os alimentos de origem vegetal, como os cereais, as leguminosas (grão-de-bico, feijão, soja ou similares), nozes ou outros frutos secos, deverão combinar-se entre si para se obterem proteínas completas.
É necessário comer proteínas todos os dias?
Se tomarmos como guia a Roda dos Alimentos, vemos que uma pequena fatia da mesma é constituída pelos fornecedores proteicos a que já fiz referência. Mas isso não implica nem justifica que se consumam quantidades exageradas dos alimentos que as fornecem, sobretudo os de origem animal. Não nos esqueçamos que da sua constituição fazem também parte outras substâncias como o colesterol ou gorduras saturadas que devem ser consumidas com muita moderação devido aos seus efeitos nefastos sobre o sistema cardiovascular. Para uma pessoa com 65-70 kg, por exemplo, comer 100-120 g de carne, pescado ou 2 ovos ao almoço dispensa a sua inclusão ao jantar, podendo este ser constituído por um prato de sopa, uma peça de fruta e três ou quatro nozes ou um punhado de outros frutos secos. Uma das maneiras de reduzir os erros alimentares dos portugueses é diminuir o consumo de alimentos de origem animal. Além de beneficiarmos a saúde, também poupamos dinheiro, uma vez que estes são habitualmente os alimentos mais caros da nossa alimentação.
Preferir pescado às carnes
Embora os peixes gordos tenham um teor de gordura semelhante ao das carnes magras, há ainda quem proíba o seu consumo, quer em dietas de emagrecimento quer em dietas para reduzir o colesterol. Como é bom de ver, uma vez que têm um teor de gordura semelhante, se se proibirem os peixes gordos, não fará sentido consentir as carnes magras porque, para além de um teor de gordura semelhante, as gorduras do peixe são mais benéficas do que as das carnes. Dentro do grupo das carnes, as aves serão as mais aconselhadas, mas sem pele. A carne de porco, tantas vezes excluída das dietas, desde que se exclua a gordura visível, contém menos gordura do que peito de frango com pele ou do que um bife de vitela. Este, inclusive, contém um teor mais elevado de gorduras saturadas. Os peixes gordos (azuis) como o atum, a cavala, o salmão, a sardinha, etc, deverão ser consumidos 2-3 vezes por semana (grávidas incluídas), mas não mais, devido à sua capacidade de fixação de metais pesados. Não esqueça também os mariscos que, apesar de terem uma quantidade razoável de colesterol, também contêm ácidos gordos ómega 3, o que permite incluí-los numa alimentação saudável. E, se não exagerar nas quantidades, nem sequer encarecem a sua dieta.

in www.educare.pt - © 2000-2008 Porto Editora

Dores de crescimento

Pelo Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga in Educare.pt

O seu filho acorda durante a noite aos gritos, com dor nas pernas? Não vê equimoses, vermelhidão, ou inchaço? A criança também não sabe explicar onde lhe dói exactamente? Experimente fazer uma massagem nas pernas. Faça também um aconchego até ele voltar a adormecer. Se ele acordar na manhã seguinte sem dores, e se brincar e se comportar normalmente, possivelmente terão sido de dores de crescimento. É provável que as queixas se voltem a repetir na noite seguinte ou passado alguns dias.
As dores de crescimento são o mais frequente motivo de dor nos membros inferiores em idade pediátrica.
As causas são indeterminadas, não há explicação científica estabelecida para a sua origem. Não estão relacionadas com o crescimento, na medida em que não se iniciam, nem têm maior incidência nas fases de maior crescimento (nos dois primeiros anos de vida e na puberdade) e também porque não se referem às zonas de crescimento ósseo, além de que, raramente, abrangem os membros superiores ou outras zonas do corpo também em crescimento.
A denominação dor de crescimento, apesar de não ter relação com o crescimento, tem o seu uso consagrado na literatura e tem a vantagem de deixar subjacente o seu carácter benigno e transitório. Por não haver uma explicação científica quanto à causa da dor, acredita-se que muitas vezes, os sintomas estão associados a distúrbios emocionais ou situações próprias da idade, como a entrada na escola, o nascimento de um irmão, um conflito familiar, entre outros. A questão emocional não é causa da dor, mas predispõe ao seu aparecimento, assim como o facto de os pais terem sentido na sua infância dores crónicas semelhantes.
Quem sofre destas dores?
Crianças entre os 3 e os 13 anos, com um ligeiro predomínio nas meninas. As crianças sedentárias são mais afectadas.
Onde dói?
Geralmente abrangem os membros inferiores, principalmente na região anterior das coxas, na região poplítea e na barriga da perna ou periarticular (não atingem as articulações). Habitualmente são bilaterais e mal localizadas, porque a criança não aponta com os dedos mas desliza com a palma da mão sobre as áreas dolorosas. São dores que não estão associadas a qualquer inflamação ou vermelhidão, nem equimoses. Não existem outros sinais ou sintomas clínicos.
Quando e como dói?
São dores intermitentes (diárias ou esporádicas), vespertinas (final da tarde) ou nocturnas (normalmente na primeira metade da noite), nunca de manhã ao acordar. Têm uma duração inferior a 30 minutos, sem relação directa com o esforço, e ocorrem durante vários meses ou anos. Desaparecem durante algum tempo, voltando a repetir-se mais tarde, com as mesmas características.
Como tratar?
Normalmente a massagem ou calor local, com ajuda, por exemplo, de um saco de água quente, é suficiente para aliviar os sintomas. Por vezes, pode ser necessário um analgésico, contudo, e dado que a dor é de curta duração, o interesse deste é questionável pois, na maior parte dos casos, a dor desaparecerá antes do fármaco surtir efeito. Se as queixas forem nocturnas e muito frequentes, poderá dar-lhe o analgésico (nomeadamente paracetamol) ao adormecer.
Durante quanto tempo vai o meu filho sofrer?
Regra geral, a maioria das crianças deixa de apresentar crises no prazo máximo de dois anos.
Que exame faz o diagnóstico?
Não existe nenhum exame que permita efectuar o diagnóstico da dor de crescimento. O exame físico geral e o exame do aparelho locomotor, em especial, são normais, assim como o exame radiológico e as provas laboratoriais.
Como distinguir estas dores de uma doença grave?
Se se registarem queixas de dor, inchaço ou rigidez pela manhã ou ao levantar, se existirem outros sintomas para além da dor, se a dor for bem localizada e a criança a conseguir apontar com o dedo, se for referida sempre e apenas no mesmo membro, se surgir durante o esforço, se a queixa for contínua ou se a massagem exacerbar a dor, então será prudente recorrer ao médico assistente.
Deixa marcas para o futuro?
Não. As dores de crescimento são benignas.

Nuno Ferreira - Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga
in www.educare.pt © 2000-2008 Porto Editora

Distúrbios do sono

(…)

Em muitos lares, a chegada da noite é sinónimo de horas difíceis. O momento de ir deitar é vivido com ansiedade por crianças e pais, que desconhecem ser muitas vezes os responsáveis pela situação. “Os distúrbios do sono são muito frequentes nas crianças e o mais frequente é a má definição de limites. Os miúdos recusam-se a ir dormir e os pais têm dificuldade em exercer uma autoridade normal e saudável, criando maus hábitos”, alerta Teresa Paiva, especialista em distúrbios de sono, a propósito do Dia Mundial do Sono, que se assinala sexta-feira.

A opinião é partilhada pelo presidente da SPP, Luís Januário, que aponta a resistência ao adormecimento como um distúrbio do sono associado a “regras parentais pouco firmes relativamente à hora de deitar”. Nos primeiros anos de infância, “a situação mais frequente é a perturbação associada ao início do sono, em que as crianças não têm capacidade para adormecer sozinhas e, de cada vez que acordam, são incapazes de readormecer”, sublinha. Já nas crianças mais velhas e nos adolescentes “predomina a dificuldade em iniciar ou manter o sono e a privação crónica de sono”. Os terrores nocturnos e os pesadelos também são responsáveis por muitas noites mal dormidas. Depois de “noites de pesadelo”, as crianças podem ficar muito irritadas e verdadeiramente insuportáveis, sobretudo para quem não percebe que na origem daquele comportamento está um problema do sono.

Luís Januário admite que “alguns pais, educadores e médicos não relacionam comportamentos desorganizados, irritabilidade excessiva e dificuldades de concentração com perturbações do sono”. O especialista lembra que “não existe uma receita pronta a usar” para uma boa noite de sono, mas deixa alguns conselhos: criar uma disciplina na hora de ir para a cama e criar um ambiente propício a uma noite tranquila. Conhecer os ciclos do sono e o modo como estes se organizam pode também ser uma mais valia na guerra contra as noites em branco.

Diário Digital / Lusa

Prevenção de infecções respiratórias

Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga

As infecções das vias respiratórias nas crianças (constipações, pneumonias, bronquiolites…) são geralmente provocadas por vírus. Os vírus são transmitidos de criança a criança, ou do adulto para a criança, por gotículas projectadas para o ar quando se tosse ou espirra. Podem também transmitir-se através do contacto com um objecto contaminado.
As infecções por vírus respiratórios nas crianças podem e devem ser prevenidas com medidas de higiene simples, mas eficazes:
1. Manter uma higiene pessoal adequada.
2. Lavar as mãos com regularidade, de modo a mantê-las sempre limpas, em particular:
- após assoar ou tocar o nariz; antes de se alimentar ou preparar alimentos; depois de usar a casa de banho ou trocar fraldas; antes e depois de contactar com uma pessoa doente.
- como lavar as mãos correctamente: utilizar água morna e detergente líquido/sabão; lavar bem entre os dedos, por baixo das unhas e os pulsos; lavar durante 10 a 15 segundos; secar bem com uma toalha limpa.
3. Cobrir a boca e o nariz sempre que espirrar ou tossir, de preferência com um lenço de papel. Se não tiver um lenço de papel pode tossir ou espirrar para a parte superior do braço, não para as mãos.
4. Deitar os lenços de papel no lixo; não os deixar perdidos.
5. Evitar que o seu filho adquira o hábito de levar a mão à boca ou ao nariz.
6. Evitar os lugares densamente frequentados, as multidões e os lugares pouco ventilados.
7. Evitar mudanças bruscas de temperatura e locais excessivamente aquecidos.
8. Escolher uma dieta saudável e equilibrada, mantendo uma hidratação adequada.
9. Praticar e incentivar a prática de exercício físico regular.
10. Descansar e fazer o seu filho descansar o suficiente.
11. Não fumar perto das crianças (a inalação passiva de fumo de cigarro aumenta a frequência e a seriedade das constipações, tosse, infecções de ouvido, infecções dos seios nasais, laringites e asma).
12. Evitar contacto próximo com pessoas doentes.
13. Quando estiver doente, manter distância das outras pessoas para evitar a transmissão dos germes.
14. Mesmo quando aparentemente saudável, ter cuidado com os “beijinhos e abraços”! Os vírus e as bactérias podem transmitir-se por contacto próximo, por vezes a partir de alguém assintomático. Se tiver contacto com bebés muito pequenos, lave as mãos antes de pegar neles e evite um contacto muito próximo, principalmente de outras crianças.
15. Lavar/desinfectar com regularidade os brinquedos.
16. Não partilhar copos nem talheres.
Nota: É importante ensinar às crianças estas medidas de higiene e supervisioná-las.
Não se esqueça que mais vale prevenir que remediar!…
Ariana Afonso, com a colaboração de Augusta Gonçalves, pediatra do Hospital de São Marcos, Braga
in www.educare.pt 2000-2008 Porto Editora

Editora lança campanha da Páscoa para ajudar Pediatria do IPO de Lisboa e Porto

A Porto Editora lançou uma campanha de solidariedade para a época da Páscoa revertendo parte da receita das vendas de alguns livros a favor dos Serviços de Pediatria do Instituto de Português de Oncologia (IPO) de Lisboa e Porto.
A Campanha de Páscoa Solidária da Porto Editora decorre até 30 de Abril e, segundo a editora, visa apoiar uma instituição e ao mesmo tempo incentivar o gosto pelo livro e pela leitura, aliando à vertente cultural e educacional um carácter de intervenção social.
Por cada exemplar vendido, seja nos diferentes espaços comerciais ou pela Internet, um euro reverte a favor das pediatrias do IPO.
Segundo a editora, citada pela Lusa, os livros seleccionados para esta campanha são títulos infantis de grande procura. O Recruta, O Traficante e Segurança Máxima (Colecção Cherub), O Coelhinho Eduardo, Guia das Adolescentes, O Cesto da Páscoa, Surpresas de Páscoa e O Livro das Pequenas Bailarinas foram os livros seleccionados para esta campanha.
Paralelamente, a Porto Editora vai oferecer aos Serviços de Pediatria do Instituto de Português de Oncologia de Lisboa e Porto um conjunto de livros das colecções Cherub e Crónicas do Abismo.

Visita da Segurança Social a Santana

Tendo a CI tido conhecimento que o Estabelecimento de Infância de Santana foi alvo de uma visita por parte da Segurança Social, seguiu hoje novo email para a Fundação D. Pedro IV, como se segue:

Lisboa, 10.03.2008

Para: Directora de Acção Social Dr.ª Sandra Picoto
Com cópia para: Fundação D. Pedro IV (geral), Directora do Estabelecimento de Santana, Dr.ª Ana Cristina Silva,
Segurança Social - Departamento de Fiscalização, Conselho Distrital de Lisboa, Dr.ª Luísa Leite
todos os pais, através de publicação no blog “http://paisdpedroiv.wordpress.com”

Exm.ª Senhora Dr.ª Sandra Picoto,

Lamentavelmente, continuamos sem uma resposta concreta aos vários emails enviados e o Estabelecimento de Infância de Santana continua sem porteiro.
Entretanto, a Directora do Estabelecimento informou a representante Sandra Müller de que a Segurança Social se havia deslocado a Santana no meio da semana passada, não informando contudo o propósito da visita nem os resultados da mesma. Dado que todos os nossos anteriores emails foram enviados com cópia para vários departamentos da Segurança Social, não podemos excluír a possibilidade de a visita da Segurança Social se prender com este assunto. Posto isso, vimos mais uma vez solicitar resposta, com carácter de urgência, sobre as seguintes questões:

- qual foi o propósito da deslocação da Segurança Social e quais os resultados da mesma;
- se alguma coisa está a ser feita para repor o posto de porteiro;
- indicação de uma data, mesmo que só provável, de quando o posto de porteiro será reposto.

Esperando obter uma resposta urgente e oficial a todas as questões apresentadas, com os melhores cumprimentos,

a CI

7º Hospital da Bonecada

De 7 a 18 de Abril vai realizar-se no Hospital D. Estefânia o 7º Hospital da Bonecada, que proporciona uma oportunidade para sensibilizar as crianças para um estilo de vida mais saudável e para desmistificar medos e receios.
Os destinatários destas consultas especiais são bonecos, acompanhados de crianças dos 3 aos 7 anos.
Do outro lado, os “doutores” são estudantes de medicina, enfermagem, nutrição, medicina dentária, farmácia e educação de infância. Não irão também faltar a Enf.ª Juju e o Dr. Malaquias, com jogos, cantigas e histórias.
A entrada é livre e as inscrições estão abertas. O público em geral pode inscrever-se para os fins-de-semana, das 10h00 às 18h00, telefonando para a Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa - Tels. 21 885 07 35 ou 21 880 30 95.

Petição a favor das crianças com necessidades educativas especiais

Surgiu na Internet mais uma petição relacionada com crianças, neste caso as que têm necessidades educativas especiais. O texto da petição (ver baixo) é dirigido ao Presidente da República. A petição pode ser assinada no link da secção “Petições”.

A Sua Excelência
Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

Excelência,

A recente publicação do Decreto-Lei nº 3/2008, de 7 de Janeiro, veio estabelecer novas regras no atendimento a crianças e adolescentes com necessidades educativas especiais (NEE), alterando os pressupostos legais determinados pelo Decreto-Lei nº 319/1991, de 23 de Agosto. No entanto, estas alterações em nada favorecem o atendimento à maioria dos alunos com NEE, desrespeitando até os seus direitos e os das suas Famílias, conforme os pontos descritos nas alíneas seguintes:

1. O primeiro ponto prende-se com a condição restritiva e discriminatória da lei. Ao limitar o atendimento às necessidades educativas especiais dos alunos surdos, cegos, com autismo e com multideficiência (ler com atenção artigo 4º, pontos 1 a 4), está a discriminar a esmagadora maioria dos alunos com NEE permanentes (mais de 90%), alunos com problemas intelectuais (deficiência mental), com dificuldades de aprendizagem específicas (dislexias, disgrafias, discalculias, dispraxias, dificuldades de aprendizagem não-verbais), com perturbações emocionais e do comportamento graves (ex., psicoses infantis, esquizofrenias) e com problemas de comunicação (ex., problemas específicos de linguagem).

2. O segundo ponto tem a ver com o uso da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (vulgo CIF), da Organização Mundial de Saúde, (artigo 6º, ponto 3) para determinar a elegibilidade do aluno com NEE para os serviços de educação especial e subsequente elaboração do programa educativo individual, sem que a investigação assim o aconselhe. O mais caricato é que a CIF que a lei propõe é a versão para adultos e não a CIF-CA (Classificação Internacional de Funcionalidade para Crianças e Adolescentes) ainda em fase exploratória. E mesmo depois da discussão sobre a sua adaptação para crianças e adolescentes, em Veneza (Outubro de 2007), ainda não existe investigação que aconselhe o seu uso, nos termos que o Decreto-Lei propõe ou em quaisquer outros termos, constituindo-se, assim, como referimos, uma ameaça aos direitos dos alunos com NEE e das suas Famílias.

Deste facto é testemunho o posicionamento de eminentes cientistas e investigadores estrangeiros e nacionais, alguns deles envolvidos na adaptação da CIF para crianças e adolescentes, estando todos eles em desacordo quanto ao seu uso em educação no momento presente. Pensamos que estas duas questões, gravíssimas na sua moldura educacional, baseadas na falta de investigação credível e no facto de que aqueles que advogam o uso da CIF asseverarem que ainda não é o momento oportuno para que ela seja usada em educação, aconselhando muita prudência, são suficientes para que a lei seja repensada à luz do que devem ser as boas práticas educacionais para os alunos com NEE.

Nestes termos, solicitamos muito respeitosamente os bons ofícios e a intervenção de V. Exa. no sentido de contribuir para que a actual situação seja objecto de uma decisão política clara e inequívoca que viabilize a resolução dos constrangimentos acima referidos, os quais afrontam os direitos das crianças com NEE e das suas Famílias.

Cerca de 1/4 das crianças com 3 anos fora da rede pré-escolar

Uma em cada quatro crianças com três anos continua a não conseguir entrar na escola pública, revela o relatório anual da Inspecção-Geral de Educação (IGE), que já no ano passado apontava a mesma insuficiência na rede pré-escolar.
De acordo com o relatório nacional “Organização do Ano Lectivo 2007/08″ hoje divulgado, houve um ligeiro aumento nos últimos três anos do número das crianças com esta idade admitidas na rede, tendo passado de 72 por cento em 2004/2005 para 77 por cento no ano lectivo 2007/2008.
Durante a apresentação do documento, o inspector-geral da Educação, José Maria Azevedo, adiantou que as maiores dificuldades se sentem nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e na região do Algarve.
O documento refere ainda que 86 por cento das crianças com quatro anos inscritas na rede pré-escolar foi admitida, número que sobe para 97 por cento no caso das que têm cinco anos.

O alargamento progressivo do pré-escolar a todas as crianças é um objectivo inscrito no Programa do Governo, tendo-se o primeiro-ministro comprometido em Dezembro de 2006 a aumentar em 50 por cento, nos três anos seguintes, o número destes equipamentos.
Para cumprir o objectivo, José Sócrates anunciou em Fevereiro um investimento de cerca de 100 milhões de euros na construção de 75 creches e de mais 760 salas para o sistema pré-escolar nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Presente na apresentação do relatório, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, anunciou que vai ser reforçada a articulação com a rede privada de jardins-de-infância para apoiar no pré-primário.
O documento, baseado numa amostra de 288 escolas ou agrupamentos, de um total de cerca de 8.500, refere ainda que um em cada cinco jardins-de-infância já oferece actividades de animação e apoio à família.
Um número que aumentou de 65 por cento em 2005/06 para 81 por cento em 2007/08.

O inspector-geral da Educação explicou que para este aumento contribuiu a colaboração e os contratos com as autarquias e instituições de solidariedade social.

04-03-2008 Diário Digital

Queixa sobre funcionamento de estabelecimento de infância

Recebemos uma queixa que, pela gravidade do relatado, não podemos deixar de partilhar com os restantes encarregados de educação para que se mantenham atentos. A origem da queixa não revela de qual dos sete estabelecimentos de infância na dependência da Fundação D. Pedro IV se trata, mas com certeza que, por alguns pormenores relatados, os pais irão identificar se é o estabelecimento que os seus filhos frequentam. Após termos obtido autorização para publicação, com as devidas alterações para que não se identifique o denunciante, segue então o relato: 

“Tenho assistido com alguma atenção a todas as notícias sobre a Fundação, nomeadamente sobre o corte de funcionários que ocorreu no ano passado e, sem dúvida, diminuiu e muito a qualidade dos cuidados prestados às crianças. No ano lectivo passado tive alguns episódios desagradáveis - o mais grave, pelo menos do ponto de vista físico, depois de uma agressão entre crianças, culminou com um traumatismo ocular grave. Claro, podemos sempre dizer que são coisas normais de miúdos, o problema é que a educadora nem sequer se apercebeu do que aconteceu, informando os pais que o colega lhe tinha dado uma bofetada. Nem uma bofetada de um adulto teria aquele efeito, quanto mais de um menino de 3 anos. Esse argumento foi imediatamente contestado, vindo a saber-se mais tarde que uma criança tinha agredido a outra com legos. Mas nem sempre as marcas físicas são as mais importantes, e por diversas vezes me senti incomodada pela forma como as crianças são deixadas no recreio muitas vezes com muito pouca atenção ou nenhuma atenção por parte das funcionárias.  

Em Setembro, a minha filha mais nova entrou para a sala de um ano. Após ter tomado conhecimento de quem seria a educadora, foi com alguma apreensão que encarei a escolha dela para esta sala (em que são necessárias funcionárias com características muito próprias). Todos sabemos que uma boa educadora do jardim-de-infância não significa uma boa educadora da creche (sala de um ano). Todos os dias tentava saber como corriam os dias dos meus filhos e a resposta é sempre a mesma, corre sempre tudo bem. Das refeições às sestas é tudo óptimo.

Em Novembro, uma bebé desta sala sofreu uma queimadura. Primeira questão: como é que uma bebé se queima na sala, com as funcionárias lá presentes? Este estabelecimento tinha um aquecedor na casa de banho, que liga a sala de um e dois anos, e alegadamente a bebé terá desviado a cancela e, enquanto uma educadora mudava uma fralda e outra levantava os bebés, ter-se-á apoiado no aquecedor, para se por de pé, e queimou as mãozinhas. A queimadura foi tão grave que havia o risco de a bebé poder ficar com as mãozinhas atrofiadas. Graças a Deus que o pior cenário não se confirmou e a bebé recuperou totalmente, embora tenha com certeza sofrido imenso com as dores provocadas pelas queimaduras. Neste processo, a directora da escola, juntamente com a educadora, deslocaram-se ao hospital para se inteirarem da situação da bebé e prontificaram-se sempre a ajudar no que fosse preciso. Contudo, isto não minimiza de forma alguma o sofrimento da bebé.

Um dia, quando me dirigi à escola para ir buscar os meus filhos, a minha filha chorava convulsivamente, sem que eu conseguisse perceber o que passava. Ainda tentei acalmá-la na escola, mas todas as tentativas foram infrutíferas. Ao chegar a casa, decidi de imediato mudar a fralda e o choro aumentou ainda mais. As assaduras provocadas pela fralda eram de tal maneira graves que a bebé chorava há meia hora sem parar. Fiquei horrorizada e liguei de imediato para o colégio, a pessoa que me atendeu só tinha  ido para a sala dos bebés naquele momento e não tinha ainda mudado a fralda. Apesar de isto poder de alguma forma desculpabilizar esta funcionária não o permite, de certeza, que se faça o mesmo com as funcionárias que estiveram todo o dia com a minha filha e que me disseram que ela esteve sempre bem. Desta vez a culpa também morreu solteira.

Num outro dia de manhã quando entrei na sala de um ano, apenas para dar um recado à educadora, deparei-me com a referida pessoa a gritar com um bebé a dizer-lhe que era bem feito, que era bem feito que ele se tivesse magoado na porta porque nunca lhes obedecia. Obviamente, pelo menos para mim, não podia ficar calada e manifestei à educadora o meu desagrado pela forma como tratava o bebé. A resposta foi  que a criança nunca lhes obedecia e, por isso, entalava sempre os dedos na porta.

No dia 31 de Janeiro, quando me dirigia à sala dos dois anos, que comunica para a sala de um ano através de um vidro, uma bebé muito amiga da minha filha começou a rir-se e deixou cair o pão para o chão. O que se passou a seguir nunca mais me saiu da memória: a funcionária gritou com a bebé e deu-lhe uma sapatada no braço. Fiquei horrorizada, tinha acabado de ver uma pessoa que, até há bem pouco tempo era perfeitamente insuspeita, bater numa bebé. Fiquei em choque e sai disparada, não queria crer. Tentei falar com a directora logo no dia seguinte mas não foi possível porque eu tinha deixado o carro no meio da rua. Nos dias seguintes a escola fechou e só reabriu na 4ª feira, depois do carnaval, foram dias agonizantes. Finalmente chegou o dia de se esclarecer tudo mas ficou tudo na mesma, a directora alegou que nem sempre os pais percebem o que se passa naquele momento porque estão, muitas vezes descontextualizados. Só que não havia contexto possível para aquele cenário. A directora também apregoou que são completamente contra qualquer forma de agressão das crianças. Quanto mais ela falava mais as coisas pioravam. Nesta reunião não foi possível confrontar a funcionária, tal veio a acontecer mais tarde mas os argumentos eram os mesmos, a lição estava bem estudada. Primeiro a funcionária alegou que, nem sequer se lembrava do episódio em questão e, quando muito teria batido na mesa ou então “sacudido” o braço da bebé. A reunião apenas serviu para me deixar mais alarmada. Equacionei a saída imediata dos meus filhos mas após falar com algumas pessoas que trabalharam já em creches, apercebi-me que estes episódios acontecem com frequência como tentativa para se “educarem” as crianças.

A necessidade imperiosa de se “formatarem” as crianças para os mesmos hábitos, horários, costumes faz com que se sigam estes métodos. Para já vão ficar na mesma escola mas, sempre, com vigilância redobrada. Tenho tentado encontrar os pais desta bebé mas ainda não consegui.

Esta exposição irá integrar a participação que será feita à Segurança Social.”

Próxima Página »


Divulgação Cultural

Blog Stats

  • 109,910 hits