Casa de Calafates

Viva!
Chamo-me Inês e sou mãe do Xavier Falcão em frequência na Casa de Calafates.
Desde já os meus parabéns por esta iniciativa: não estava ciente que havia um movimento generalizado por todas as Casas da Fundação tendo apenas conhecimento das reclamações surgidas dentro da que o meu filho frequenta.
Há uns dias enviei uma carta à Direcção com inúmeros pontos que gostaria de ver respondidos assim como com um balanço de sete anos de relacionamento com este estabelecimento (o meu filho mais velho, que entrou em 2000, saiu no ano passado). E o saldo é francamente negativo.

Tal como muitos outros pais, só tenho palavras de elogio a todos os que trabalham em Calafates: da directora à cozinheira, o seu valor é inestimável. No entanto, as alterações que têm vindo a ser processadas desde o passado ano lectivo, têm vindo a prejudicar o bom trabalho feito.

Assim, passo a transcrever partes da carta enviada à Fundação:

“(…)
1. Falta de diálogo
Sendo este item, na nossa opinião, a “coluna vertebral” de um bom funcionamento, como pais sentimos que não somos consultados, auscultados, tidos em consideração nas decisões da Direcção. Parece-nos lamentável que não sejamos informados antecipadamente das intenções da Fundação de modo a que seja possível criar uma ponte entre os nossos e os vossos interesses. Os pontos seguintes serão um exemplo vivo do que falamos.

2. Uniforme
Podendo parecer um pormenor sem importância, não deixámos de nos desiludir quando fomos confrontados com a necessidade de adquirir bibe, chapéu e saco próprios da Fundação. A “democratização” anterior (cada um usava o que tinha ou o que podia) era um motivo de orgulho para nós: esta prática do uniforme (e ainda por cima a preços muito acima dos praticados no mercado) que outras escolas privadas obrigavam, sempre nos pareceu um subterfúgio para um lucro acrescido. Não concordamos com a prática e, sobretudo, com os seus custos numa instituição que se designa de Solidariedade Social(…)

(…)

4. Obras
No Verão passado, as crianças de Calafates foram transferidas para uma sala sobreaquecida de Sta Quitéria por causa das obras que se realizavam na sua Casa. Em sete anos, foi a primeira vez que algo se fazia e pensámos que, finalmente, se iriam resolver os graves problemas de infiltrações, de paredes desfeitas, de escadas perigosas, de chãos em falência, de aquecimentos variados. Quando voltámos, soubemos que foram substituídas as janelas e as canalizações (e que aquele “equipamento” aberrante “tipo” comboio tinha — finalmente! — sido retirado). As obras de instalação do ar condicionado começaram no final de Setembro, quando a escola já estava em funcionamento e os alunos em aulas.
Não dizemos que o que foi feito não era necessário. Dizemos que era necessário muito mais. E por acharmos que é incomportável, em paralelo com esta carta, segue uma outra para a Segurança Social e qualquer instituição fiscalizadora denunciando o agravamento da situação e inoperância da Direcção.

5. Pessoal
Sem termos informações quantificadas e rigorosas, é evidente que o pessoal da Casa de Calafates tem vindo a diminuir drasticamente e, mais uma vez, sem que haja uma consulta aos pais ou qualquer tipo de avaliação qualitativa. A saída das auxiliares faz-se a um ritmo impressionante com a saída e deslocação de pessoas com evidente prejuízo para os educandos. (…)
Com a saída das auxiliares, vemos as educadoras praticamente sozinhas com grandes grupos de crianças. Mais uma vez, a segurança que nos era transmitida pela presença permanente de uma educadora e uma auxiliar (pelo menos!) em cada sala, acrescida do apoio das pivots, está a desmoronar-se a cada dia.

Actualmente, é quase impossível falar com as educadoras — por vezes é necessário! — pois estão sem apoios e não podem “abandonar” um grupo de 20 ou 30 crianças. A pressão que esta situação gera só pode ser prejudicial ao normal funcionamento da escola, ao bem-estar das crianças e à saúde física e mental do pessoal docente.
As saídas inexplicáveis e mudanças de auxiliares e educadoras (…), parece ter gerado um clima de medo onde não só não somos informados sobre as atribuições e competências dos funcionários como também não conseguimos obter informações através deles; não temos dúvidas que este clima silenciado contagia a alegria na aprendizagem e a qualidade da execução do projecto pedagógico.

6. Férias
Recentemente, recebemos uma circular comunicando que o Estabelecimento de Calafates estará encerrado durante o mês de Agosto. A meio do ano as regras mudam, assim, sem uma consulta ou aviso prévio. Desde que conhecemos Calafates, que a escola labora em Agosto. Programámos as nossas férias contando com este dado. Somos agora avisados a meio do ano lectivo que a situação será alterada, sem uma avaliação das situações em curso dos pais, sem um período de transição, sem alternativas e com um argumento falacioso (os nossos filhos frequentam Calafates em Agosto desde sempre e verificamos precisamente o contrário do que a circular diz: uma frequência generosa). Mais uma vez, encontramos os mesmos problemas: falta de comunicação e um desvio das mais-valias que esta escola oferecia. Onde é que ficou a Solidariedade Social?

7. Praia
Na mesma circular deparámo-nos, no mínimo, com uma argumentação hilariante: havendo um aumento de custos das empresas transportadoras, prevê-se que a colónia de férias não possa vir a ser suportada pela maioria das famílias!!!! Prevê-se! É curioso que não tenham previsto que os custos dos fardamentos pudessem não ser comportados pela maioria das famílias… Porque é que não perguntam às famílias se podem suportar os custos? (…) Porque é que não perguntam aos pais antes de tomarem a decisão? Para que a vossa afirmação não possa ser lida como um argumento falacioso para encobrir a falta de meios (que as recentes reduções estão a provocar) seria imperioso, antes de fazer “previsões”, auscultar os pais; fazer uma consulta de intenções que resultasse em dados concretos sabendo-se assim se sería, de facto, comportável ou não. Então sim, tomar-se-ia uma decisão. Não aceitamos, de modo algum, que nos apresentem um facto consumado fundamentando em “previsões” sobre dados inexistentes, porque a ser assim fica também válida a nossa “previsão” que não haverá colónia de férias porque não há pessoal suficiente para acompanhar as crianças.
Mais um assunto que nos parece pertinente relatar a quem tutela e avalia escolas legalmente designadas como “Instituição Particular de Solidariedade Social”.

(…)

Finalmente, e não estando a reinvindicar quaisquer direitos adquiridos, pensamos que a cada dia, a Fundação se parece mais com uma qualquer escola privada com fins lucrativos e com uma gestão cega e muda: já temos farda, poucos funcionários, aumento das prestações. Só que não temos instalações seguras e condignas, visitas de estudo, ATL, praia e, sobretudo, abertura para diálogo e cooperação entre as famílias e a escola.

Assim sendo pensamos que se justifica o envio de partes desta carta para a tutela de modo a que a nossa avaliação possa ser escrutinada e para que a utilidade Social da Fundação seja fiscalizada e reavaliada. Pensamos assim estar a contribuir da melhor maneira para o bem da Casa de Calafates e para a missão da Fundação.

Aguardando uma explicação escrita sobre os pontos abordados, apresentamos os nossos cumprimentos,

13 Responses to “Casa de Calafates”


  1. 1 Nuno Filipe 18 Janeiro 2007 às 2:52 pm

    Cara Inês,

    Chamo-me Nuno Filipe e tenho duas filhas na escola de São Vicente de Fora (Catarina e Mafalda), e partilho totalmente os seus argumentos.

    Penso que explanou de forma muito sucinta e clara, todas as situações e preocupações que nos atormentam (e pelo que vejo, são transversais a todas as escolas da fundação). Também partilho consigo o reconhecimento para com as pessoas que trabalham na escola das minhas filhas, são profissionais e amigas das crianças, contudo existe pelo que vou vendo, cada vez menos tempo para o essencial, a dedicação a tempo inteiro às crianças, porque ninguém faz milagres (falta de pessoal a isso obriga).

    Deixe-me só reforçar o que disse relativamente à falta de diálogo, acho inaceitável o que ocorreu com a IMPOSIÇÃO da Direcção da Fundação da semana passada e o golpe palaciano que foi a reviravolta que nos foi comunicada ontem.

    Estas tomadas de posição revelam bem quem as toma, e a falta de atenção e respeito, primeiro, para com os nossos filhos (que para a Direcção da Fundação, parecem ser só números), segundo, para com os seus pais.

    Este tipo de conduta é inaceitável e deve ser reprovada por todos nós.

    As minhas filhas são para mim e para a minha esposa, as melhores coisas do mundo … e sinceramente não as gosto de ver serem tratadas assim. MESMO SENDO PEQUENAS MERECEM TODO O RESPEITO.

    Com os melhores cumprimentos solidários a todos os pais, com a esperança de que as coisas melhorem para bem das crianças e dos profissionais que trabalham nas sete escolas desta IPSS.

    Estes, e só estes, bem merecem.

  2. 2 angela garcia 18 Janeiro 2007 às 4:20 pm

    olá boa tarde, sou mãe do Tiago Gregório (4 anos) da casa da Junqueira, estou solidária e completamente de acordo com tudo o que tem sido escrito nest blog. Tanto a directora como as educadoras, auxiliares de acção educativa, passando pelo outro pessoal auxiliar, são espectaculares para as crianças, competentes e carinhosas, só que não se podem desdobrar (embora tentem). Na casa da Junqueira foram despedidas duas funcionárias da limpeza, também elas impecáveis para com as crianças e a partir daí esta tarefa (limpeza) é desempenhada pelas auxiliares de acção educativa, em vez de estarem com a nossas crianças a desempenharem as actividades que lhes compete. Daqui resulta que já por algumas vezes quando chego à Casa da Junqueira para deixar o Tiago, encontro todos os grupos etários sentados em frente à televisão, isto já depois das 9h 30m ( hora a que supostamente as actividades têm início), por outro lado quando o vou buscar por volta das 16h 30m se encontra apenas uma pessoa no recreio para tomar conta de 50 ou 60 crianças de várias idades, isto porque as auxiliares se encontram nas salas a fazer limpeza como constato praticamente todos os dias.
    Quero também acrescentar que já distribuí uma folha a alguns pais desta Casa a informar da existência dos blogs e da reunião que se realizará amanhã.
    Muito obrigado
    Ângela Garcia

  3. 3 Regina Sousa 18 Janeiro 2007 às 6:58 pm

    Boa tarde,

    aqui vai um elogio para todos os que fizeram com que isto acontecesse. Saber que as nossas reclamações fazem alguma diferença é muito bom e mostra-nos que de facto vale a pena intervir quando existe descontentamento.
    Força para todos!
    Regina mãe da Maria Sargaço – Calafates-

  4. 4 catarina marques 19 Janeiro 2007 às 11:00 am

    Olá já devem ter reparado que nos alteraram a palavra passe para impedir que outras pessoas escrevam no blog, até resolvermos o problema pedimos que escrevam através dos comentários.
    Entretanto não esqueçam:
    HOJE DIA 19 REUNIÃO COM TODOS OS PAIS DE TODOS OS ESTABELECIMENTOS DA FUNDAÇÃO D. PEDRO IV ÀS 17.OO NA JUNTA DE FREGUESIA DE S. JOSÉ – CALÇADA MOINHO DO VENTO Nº 3 (perto do infantário de Sanatana)
    APAREÇAM! O PRBLEMA DA REDUÇÃO DE PESSOAL VAI CHEGAR A TODAS AS CASAS. TEMOS QUE FAZER ALGO A ESSE RESPEITO.
    Não nos podem calar só porque foi alterada a decisão do fecho das casas no mês de Agosto

  5. 5 Cristina Silva 19 Janeiro 2007 às 12:13 pm

    Olá a todos,
    É para comunicar que saiu um noticia no jornal o “Publico” sobre as creches da fundação.
    Se quizerem podem ir ver.
    Obrigada

  6. 6 Ângela Garcia 19 Janeiro 2007 às 3:00 pm

    Boa tarde, sou novamente a mãe do Tiago da casa da Junqueira, depois do meu comentário de ontem aqui no blog, falei com a Directora da casa da Junqueira que se mostrou muito triste com o meu comentário, pelo facto de ter referido que por algumas vezes depois das 9h 30m as crianças se encontrava a ver televisão, expliquei-lhe que essa situação não teria a ver com a falta de empenho por parte das educadoras e auxiliares, mas sim porque estariam ocupadas com outras tarefas, ou mesmo provavelmente algumas de férias, porque se passou na altura do Natal.
    Quero, no entanto, reforçar mais uma vez o apreço que tenho por todos os funcionários da casa da Junqueira.
    Ângela Garcia

  7. 8 Paula 19 Janeiro 2007 às 10:18 pm

    Depois de ler o que escreveram no yahoo o grupo de Pais do colégio de Santana não posso deixar de reforçar a importância de criar um local restrito onde apenas os Pais tenham acesso para discussão destes problemas que têm surgido.A alteração da palavra passe é preocupante pois pode ser um indicio de que há pretenção de bloquear a passagem de informação. É mais fácil alguém que abre o blog ler as notícias do que ir aos comentários. Sou ainda de opinião de que não deverá, em caso algum, ser aceite a oferta, do Sr Canto Moniz, de disponibilização de uma sala para as reuniões dos Pais dentro da Fundação. É um meio fácil de controlar o que se discute e de intervir na hora tentando iludir-nos. Isto não invalida, como é lógico, que se façam reuniões com a Direcção para resolução dos assuntos que forem surgindo.

  8. 9 Tiago Mota Saraiva 19 Janeiro 2007 às 11:05 pm

    Amanhã, assim que este blogue voltar a ser de todos e se possa recomeçar a introduzir textos, será publicado o comunicado da assembleia de pais reunida hoje.

  9. 10 Carla Bandos 6 Fevereiro 2007 às 3:23 pm

    Fiquei muito triste quando li o relato da reunião de 24 de Janeiro em que o senhor Vasco Canto Moniz dizia que a culpa da Fundação estar assim é das directoras que não sabem fazer uma boa gestão e das educadoras e auxiliares que não querem trabalhar. Fiquei chocada. Só conheço a Fundação de Arroios que é onde o meu filho anda e tenho que agradecer à directora, à educadora e as todas as pessoas que todos os dias trabalham e dão o seu melhor para que o meu filho cresça ainda mais feliz…

    Carla Bandos (Mãe do António Bandos)

  10. 11 Isabel Mota 3 Março 2007 às 11:21 pm

    Olá a todos

    O meu nome é Isabel e é com uma profunda tristeza que acompanho tantas mudanças na Casa de Calafates. Não conheço pormenores mas quero deixar aqui o meu mais sincero obrigada a todas as pessoas que trabalham e trabalharam nesta cada. Tive lá a minha filha Mariana e o meu sobrinho Irineu e a equipa de Calafates sempre foi uma referência para mim.
    As paredes até podiam ser “velhinhas” mas tinham cheiro de alma e de alegria. O gabinete da Directora até podia ser pequenino, mas tinha sempre dois ouvidos atentos e um olhar próximo e cheio de experiências de mãe, de educadora de amiga. A cozinha até podia ser “aberta” mas vinha de lá um irresistível cheirinho a sopas e um sorriso cúmplice quando se falava das malandrices à mesa.
    Durante o tempo em que a minha filha e o meu sobrinho estiveram lá sempre me senti feliz por os ter ali, com aquelas pessoas. Durante aqueles anos construi na minha memória uma referência muito positiva daquela casa. Lembro-me do nome de muitas pessoas, funcionárias, meninos, pais… lembro-me que vivi momentos muito felizes ali e de todo o apoio que tantas vezes me deram. E por tudo isso é com uma profunda tristeza que vejo um projecto tão grandioso em termos humanos ser destruído por interesses capitalistas. Quem pena se Calafates se tornar realmente numa escola igual a tantas outras onde tudo é perfeito mas onde é tão dificil encontrar um cheirinho a alma, um sorriso desinteressado.
    Para mim guardo uma memória muito importante na minha vida. E faço votos de as vozes dos pais cheguem a quem está a mudar tanto as coisas e a destruir a alegria daquelas paredes velhinhas mas tão tão cheias de afectos. Um grande abraço a todos os que continuam a lutar contra os interesses meramente monetários. Isabel

  11. 12 Daniel Zamorano 31 Agosto 2014 às 3:06 pm

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