De um email

Sou mãe de duas crianças que frequentam o estabelecimento de Santana e estou muito apreensiva com toda esta situação.

[…] Eu considero que não estão asseguradas as condições mínimas.

Ontem, hoje e amanhã, a sala de 1 ano deste estabelecimento não tem auxiliar.

Ontem quando deixei a minha filha na sala de 1 ano, encontrei a educadora emocionalmente abalada. Algo que se tem verificado ao longo dos últimos tempos, em todas as funcionários deste estabelecimento, devido à elevada pressão/opressão do conselho de administração.

— Isto são condições de trabalho?

Que condições teve esta funcionária, neste estado, para trabalhar com um grupo de 15 crianças (nº de crianças que frequentaram, ontem, esta sala).

É certo que a directora do estabelecimento, teve a dar apoio a esta sala, no entanto a educadora teve ao seu encargo 15 crianças, 45 mudas de fraldas, almoços, etc.

Hoje, esta sala contou com o apoio da auxiliar da sala dos 3 anos.

— E a estabilidade afectiva destas crianças?

Esta instabilidade estaria minorada se houvesse uma dita auxiliar “pivot” com que estas crianças tivessem estabelecido laços de afectividade.

Como é do vosso conhecimento as crianças da sala de 1 ano, ao final do dia, juntam-se com as crianças da sala dos 2 anos.

Como também sabem há crianças na sala de 1 ano que ainda não andam e que tentam se agarrar a tudo o que encontram ao seu alcance para se porem em pé. — Processo normal no desenvolvimento psicomotor de uma criança desta idade — Numa destas tentativas, assisti à queda de um móvel por cima de uma criança. Por sorte este incidente não teve consequências mais graves, mas poderia ter tido.

— Posto isto, onde está a segurança destas crianças? Para não falar das entradas no estabelecimento, sem qualquer controle, pois as funcionárias não têm mãos a medir e têm como prioridade cuidar dos nossos filhos.

Em relação à sala da pré, como todos sabem os problemas são idênticos.

A sala da pré neste momento não tem auxiliar.

A hora de almoço da educadora é assegurada ou pela auxiliar da sala dos 3 anos ou pela auxiliar da sala dos 2 anos. Todo o restante período é da responsabilidade da educadora que tem ao seu encargo 21 crianças, uma das quais com necessidades educativas especiais.

— Nestas condições, é possível esta educadora realizar um trabalho de preparação das crianças para a primária?

Tenho a salientar o trabalho excepcional de todas as funcionárias deste estabelecimento, porque realmente têm dado tudo pelos nossos filhos. Se não fazem mais é porque não conseguem.

Agora pergunto,

Até quando elas vão aguentar esta pressão?

Até quando vão aguentar trabalhar em condições desunamas?

Como todos sabem, está afixado na entrada da casa de Santana um comunicado da administração que diz que em virtude da reestruturação que esta instituição tem levado a cabo, este ano lectivo não haverá mais alterações, estas ocorreram no início do próximo ano lectivo.

Como também é do vosso conhecimento, brevemente (penso eu) seremos confrontados com um documento cujo assunto é a renovação de inscrição para o ano lectivo de 2007/2008. Como poderemos responder se não sabemos o que irá acontecer?

Gostaria de informar o Sr. Canto Moniz que o 25 de Abril já aconteceu em 1974, já não vivemos num regime ditatorial.

Gostaria de perguntar ao Sr. Canto Moniz:

— pela liberdade dos cidadãos (funcionárias e crianças),
— pela solidariedade social desta instituição dita Instituição Particular de Solidariedade Social,
— pela responsabilidade da instituição no compromisso que assumiu com as famílias no início do ano lectivo,
— pelo dinheiro que pagamos nas exorbitantes mensalidades

2 Responses to “De um <em>email</em>”


  1. 1 mãe de Santana 11 Fevereiro 2007 às 2:11 pm

    O Sr. Engº Canto Moniz pelos vistos pensa que pode acalmar os pais não despedindo/transferindo mais funcionários de acção educativa este ano lectivo. Esquece-se contudo de que os pais têm pedido a reposição das condições existentes no início deste ano lectivo, o que passa por:
    – repor o número de ajudantes de acção educativa;
    – repor o número de auxiliares;
    – não despedir/transferir rigorosamente mais ninguém (a não ser ele próprio, isso até lhe agradecíamos).

    Mas esse “sr.” Canto Moniz só ouve o que lhe interessa, provavelmente o tilintar das moedas de Euro. Pelos vistos, o que se prepara para fazer, independentemente de todos os protestos que tem havido, é de transferir (portanto retirar das Casas de Infância) mais cinco auxiliares.
    Se os nossos filhos não podem ficar sozinhos e desacompanhados, quem vai fazer as limpezas e restantes serviços assegurados, até à data, por estas funcionárias?

    Gostava de saber se vão os administrativos da Fundação andar de balde e esfregona na mão, a aspirar as salas, a lavar paredes, a ajudar as cozinheiras, a por as mesas para o almoço das crianças, a levantar as mesas depois da refeição e lavar o chão dos refeitórios, a fazer e levar “o chazinho das 4” (isto é verídico! Todos os dias vai um tabuleiro com chazinho para a Administração, para isso as auxiliares têm tempo!). Por este andar, terão mesmo de ser os administrativos, pois não vão sobrar auxiliares (à excepção, claro está, daquela que leva o chá ao Engº).

  2. 2 doce3666 11 Fevereiro 2007 às 4:00 pm

    Ó pá cuspam-lhe no chá.


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