Carta aberta ao Ministro Vieira da Silva

Excelência,
Escrevo-lhe por uma questão de tempo. Pedindo-lhe que tome em conta, no tempo da sua decisão, o tempo da minha filha de 2 anos. E o tempo de quem tem 2 anos é diferente do meu e do seu.
A instabilidade a que tem vindo a ser sujeita nestes últimos três meses (apesar de todo o esforço de quem dela tão bem cuida na creche) representa 12% do tempo de vida dela.
E quando se tem 2 anos é tempo de brincar muito com todas as condições de segurança e com todo o mimo. E é tempo de aprender a juntar mil e uma palavras, é tempo de aprender a fazer xixi e cócó no bacio, de correr muito, é tempo de ouvir muitas histórias e de rir à gargalhada. Tanto em tão pouco tempo, não é?
Por isso pedia-lhe que considerasse este tempo da minha filha como urgente, que nem mais um dia tardasse. E que, sem mais perda (do seu) tempo concluísse, tal como nós que somos mais de um milhar de pais, que é urgente demitir amanhã este conselho de administração.
Obrigada pelo seu tempo.
Cristina L. Martins (mãe)

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2 Responses to “Carta aberta ao Ministro Vieira da Silva”


  1. 1 mãe de Santana 19 Fevereiro 2007 às 9:52 am

    Excelência,

    subscrevo as palavras desta mãe e rogo para que acrescente às suas considerações o tempo do meu filho de 3 anos. Nos dias de hoje, os nossos filhos passam quase mais tempo no Infantário do que junto dos pais. As educadoras e ajudantes são para eles “mães do coração”. E têm sido umas excelentes mães. Agora, com falta de recursos e apoio, vivendo um clima de instabilidade crescente, como se vai isso repercutir no dia-a-dia dos nossos filhos? O tempo da decisão de V. Exa. é o tempo que falta para devolver aos nossos filhos a estabilidade afectiva durante a maior parte do tempo deles…

  2. 2 Conceição M. 7 Março 2007 às 11:19 am

    Parabéns pela sua criatividade, inteligência e adequação nesta missiva.

    Continuem a lutar e a divulgar a vossa luta, que já não é só vossa, já se tornou a luta de qualquer cidadã/o que ande minimamente atento ao que se passa na sua cidade e no seu país.

    E este pais em que uma Fundação faz da Acção Social negócio, e pior que isso, às claras, faz 1 aproveitamento dos fundos colocados ao serviço do bem PÚBLICO para servir interesses próprios, disvirtuando a função que o estado lhe confiou e esvaziando a sua acção de qualquer dos objectivos de serviço social e de apoio às famílias a que se propôs… este país… não é o país que queremos!

    Não é o país que eu quero e e que ajudo a construir diariamente!! Há que lutar para que estas estórias de corrupção e incompetência deixem de fazer parte da nossa história.


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