Arquivo de Abril, 2007

Informação

Na sequência do injustificável incidente ocorrido no Estabelecimento de Santana, sede da Fundação D. Pedro IV, na madrugada do passado dia 23 de Abril, e de modo a serem apuradas responsabilidades e punidos os autores do mesmo (até para tentar evitar acções futuras do mesmo género), alguns Membros da Comissão Instaladora apresentaram no dia seguinte queixa-crime contra Desconhecidos na Polícia Judiciária.

Considerando a Comissão Instaladora que a atribuição de culpa é mera especulação, esperamos sinceramente que as autoridades competentes envidem todos os esforços para o apuramento dos responsáveis.

Vistoria da Autoridade de Saúde

Na sequência do lamentável incidente de ontem, e na ausência de uma inspecção por parte de uma entidade competente que garantisse que estavam restabelecidas as condições de saúde e higiene no interior do edifício de Santana, a Comissão Instaladora solicitou à Autoridade de Saúde da Sub-região de Saúde de Lisboa e à Autoridade de Saúde do Centro de Saúde da Penha de França, a que pertence a área geográfica do Campo de Santana, que vistoriasse o local. Soubémos que a visita de uma delegada de saúde aconteceu hoje durante a manhã. Embora o relatório não tenha sido ainda redigido, a informação de que temos é que a técnica considerou estar tudo bem, facto que a Comissão instaladora regista com agrado. Aguardamos agora que a Fundação D. Pedro IV nos comunique (e a todos os pais) os resultados oficiais desta vistoria.

Notícia do Público [24.04.07]

Dejectos despejados à porta de infantário da Fundação D. Pedro IV

24.04.2007

O despejo de excrementos humanos à porta da Fundação D. Pedro IV perturbou ontem o acesso ao jardim de infância de Santana, em Lisboa. Alguns progenitores, segundo um comunicado da associação de pais, entenderam não estarem reunidas “condições mínimas de higiene e segurança” para deixarem os filhos.
Foi de manhã cedo que a PSP de Lisboa respondeu a uma denúncia de “vandalismo” no estabelecimento de Santana, à Travessa do Torel, informou fonte policial. A entrada daquele jardim de infância, que também serve de acesso à sede da Fundação D. Pedro IV (que gere o estabelecimento) e de outras instituições, encontrava-se suja com fezes, lançadas para o interior do recinto e contra as paredes.
Entre as 7h00 e as 9h30, os pais entraram com as crianças, com idades entre os quatro meses e os seis anos, por uma porta lateral, enquanto os serviços camarários procediam à limpeza do espaço. A associação de pais condenou este “acto inqualificável”.
“Não se sabe quem foi, nem contra quem”, salientou Tiago Saraiva, numa alusão ao facto de no mesmo edifício funcionarem várias entidades. Vasco Canto Moniz, administrador da fundação, lamentou o acto “absurdo que tem a ver com a saúde pública e falta de civismo”. O responsável defendeu que sejam “apuradas responsabilidades”, mas escusou-se a comentar qualquer relação com a contestação de que a fundação tem sido alvo, nomeadamente por moradores de bairros sociais sob a sua tutela. L.F.S.

Comunicado

Hoje, dia 23 de Abril, a entrada do edifício do estabelecimento de infância de Santana, sede da Fundação D. Pedro IV e de várias outras empresas de construção e habitação social, foi vandalizada pelo largar de excrementos humanos à porta e pela introdução dos mesmos para o interior do edifício. Perante o sucedido alguns pais entenderam que não estavam asseguradas as condições mínimas de higiene e segurança para poderem lá deixar os seus filhos. Trata-se de um acto inqualificável e que não tem justificação possível, sobretudo porque foi concretizado num estabelecimento frequentado por crianças entre os 4 meses e os 6 anos.
Para além de condenar veementemente o acto, a Comissão Instaladora chama a atenção para o facto de o clima de contestação gerado pela conduta do actual Conselho de Admnistração não ser de todo compatível com a garantia das condições mínimas de establidade e segurança que um estabelecimento de infância deve ter para funcionar.
Acresce ainda o facto de, ao não fechar de imediato o estabelecimento, permitindo a estadia de crianças (e a preparação de alimentos!) no edifício antes de se proceder a uma desinfecção geral, o Conselho de Admistração ter dado mostras da irresponsabilidade que tem pautado a sua actuação nos últimos meses perante o bem-estar das crianças.

Manifestação de Solidariedade

Vimos por este meio expressar a nossa solidariedade para com a família do morador do Bairro dos Lóios Miguel Santos, que se encontra hospitalizado, e apelar à participação dos pais na vigília que decorrerá nesta Sexta-Feira, entre as 18.00h e as 24.00h, no Bairro dos Lóios.
As condições de insegurança que se viveram nos estabelecimentos de infância até que a pressão dos pais fez repor o número de funcionários — mas que ainda se vivem nalguns estabelecimentos de infância, como Calafates — só por sorte não deram origem a um acidente grave com os nossos filhos. Tal como nesse caso acolheríamos com gratidão a solidariedade de todos, queremos agora transmitir a nossa ao Bairro dos Lóios.

Notícia no DN de ontem

Família do bairro dos Lóios vai processar Fundação D. Pedro IV

ANA MAFALDA INÁCIO

Miguel luta pela vida aos 36 anos. A queda do quarto andar, de uma altura de quase 30 metros, na caixa do elevador do prédio onde mora, deixou-o em coma e com múltiplas fracturas no organismo. Os médicos do Hospital São José não avançam com prognósticos e a família vai processar a entidade que gere o edifício, a Fundação D. Pedro IV. O acidente é visto como uma tragédia anunciada porque os alertas foram muitos. Por isso, o sentimento é de revolta no lote 232, dza Rua Norte Júnior, no bairro dos Lóios, em Chelas. Há mesmo quem defenda: “Que ninguém pague mais a renda.”

Miguel é um homem ainda jovem, mas conheceu a condição de reformado por invalidez já há alguns anos. “Uma doença do foro neurológico e psiquiátrico deixou-o assim”, conta o irmão Nuno. “Não tem tido sorte na vida. Quase nunca sai de casa e logo tinha que lhe acontecer isto”, sublinha. Aos 36 anos, Miguel é o único filho que a mãe, Maria Adriana, ainda alberga em casa, num quinto andar que comprou com dificuldade há uns tempos. “A minha mãe mora aqui há mais de 24 anos e está em estado de choque. Quem esperava uma coisa destas?”, questiona Nuno.

No prédio, não se fala de outra coisa, mas ninguém sabe ao certo como aconteceu. “O meu irmão esteve mais de duas horas sem ninguém dar por ele. Se o elevador tivesse começado a andar ficava esmagado lá em baixo”, comenta. “A queda foi de tal forma que ele partiu os vidros da caixa do elevador que dão para o lado de fora do prédio”, acrescenta.

Miguel saiu de casa por volta das 16.00 de segunda-feira e carregou no botão do elevador que ainda funciona no prédio e serve as mais de 500 pessoas que moram nos 103 apartamentos espalhados por 12 andares. Mas o equipamento não funcionou.

O elevador estava preso entre o quinto e o quarto andar, parecendo que parado neste último. Miguel desceu um lance de escadas, abriu a porta, mas, afinal, o elevador não estava lá. Miguel Santos caiu de uma altura de 30 metros e esteve mais de duas horas sem assistência. “Ninguém deu por nada. Só quando as pessoas começaram a chegar, por volta das 18.00, é que perceberam que o elevador não funcionava e começaram a ouvir gemidos”, refere o vizinho Jorge. “Dei com ele lá em baixo caído. Chamava baixinho pela mãe. Coitado, é tão bom moço”, afirma.

O INEM transportou Miguel para o Hospital de São José. A OTIS, empresa que faz a manutenção do equipamento, foi ao prédio após o acidente e desligou o elevador. “Agora, não há nada para ninguém. O problema são os idosos, as pessoas doentes, que diariamente têm que sair para fazer tratamentos, as que têm bebés. Não sabemos quanto tempo isto vai estar assim. Já viu o que é subir até ao 12º andar?”, diz Luísa Manuela, moradora no quinto.

O lote 232 tem dois elevadores, um “não funciona há mais de seis anos e já foi selado pela câmara. Só restava este, que era arranjado com as peças dos outro. A OTIS passa cá a vida, não sabemos o que faz, pois os problemas não param”, critica. “O engenheiro que cá veio na segunda-feira disse nunca ter visto uma porta de elevador abrir sem a caixa estar lá. Isso acontece aqui permanentemente”, garante António Lemos, delegado do prédio na comissão do bairro.

Ontem, em Chelas, o estado de Miguel estava na ordem do dia. Esta é a terceira queda de um morador na caixa do elevador. “As anteriores não tiveram as mesmas consequências. Um senhor caiu do rés-do-chão, outro do primeiro andar, mas safaram-se”, contam-nos. O 232 é até conhecido no bairro como o “prédio-bomba” ou inacabado. “Há aqui mais de 500 botijas de gás. Se um dia há azar, vai tudo pelos ares”, dizem os moradores. As queixas são muitas: a electricidade que falha dia sim, dia não; o lixo que se acumula; os ratos que invadem os corredores e a humidade que dá conta das casas. |

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Notícia no JN

Homem ferido em queda na caixa de elevador

Um homem de 33 anos, Miguel Santos, sofreu ontem várias fracturas no corpo depois de ter caído acidentalmente na caixa do elevador do prédio onde mora, o lote 232 do Bairro dos Lóios, em Marvila, Lisboa. O acidente terá ocorrido pelas 16 horas. O homem chamou o elevador para o 4.º andar e, julgando que o aparelho lá estava, abriu a porta e entrou de rompante, acabando por cair de uma altura de cerca de 24 metros. Os vizinhos só se aperceberam do acidente por volta das 18 horas, altura em que alertaram a Protecção Civil Municipal e os Sapadores Bombeiros para o sucedido. Ao local acorreu também uma viatura do INEM, que acabou por transportar a vítima para o Hospital de S. José.

José Lima, morador no 2.º andar frente, foi quem localizou o homem caído no fosso do elevador. “Ele gritava baixinho, “Ó mãe, tira-me daqui'”, contou, ao JN, garantindo que os bombeiros foram “rapidíssimos” a chegar ao local e que tiveram todos os cuidados ao retirar o homem do fosso. Fizeram-no com a ajuda de uma escada e colocando- -lhe talas no corpo. Ao que o JN apurou, a vítima foi observada no serviço de Neurocirurgia do hospital e ficou internada por ter sofrido fracturas nas pernas e nos braços.

Entre os moradores, o sentimento era de revolta e indignação. E não tinham dúvidas em apontar o dedo à Fundação D. Pedro IV, entidade a quem o Estado entregou a responsabilidade da gestão daquele património, que é contestada pelos moradores.

“A grande questão aqui é que a Fundação sabe o que é que se passa com os elevadores. A Otis (empresa responsável pela manutenção) passa a vida aqui por causa das avarias”, denunciou António Lemos, explicando que um dos elevadores está parado há vários anos e já foi até selado pela Câmara de Lisboa. O prédio tem 12 andares e 103 apartamentos e as cerca de 400 pessoas que lá vivem ficaram ontem sem nenhum elevador. No local estiveram técnicos da Otis que, acompanhados pela PSP, garantiram ter trancado todas as portas, mas recusaram-se prestar esclarecimentos. Ao JN, Vasco do Canto Moniz, presidente da Fundação, admitiu que a situação dos elevadores é “preocupante” e que “é evidente que a responsabilidade é da empresa que faz a manutenção”. Contudo, disse que o “atraso nos pagamentos por parte dos proprietários” condiciona a realização de “obras de fundo”. Gina Pereira

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