Carta à Fundação sobre não reinscrição

«Lisboa, 24 de Maio de 2007

Exma. Sra. Directora do Estabelecimento de Infância de Santana da Fundação D. Pedro IV, Ana Cristina Silva,

É com imensa tristeza que vimos por este meio comunicar que o nosso filho não frequentará a vossa instituição no próximo ano lectivo. As razões são sobejamente conhecidas. Não podemos permitir que o nosso filho frequente uma instituição presidida por quem tão pouco sabe de pedagogia, de acção social, por quem demonstra tanta falta de respeito pelas crianças, pelos pais e pelos funcionários dos estabelecimentos de infância que administra, e sobre quem recaem tantas suspeitas de actos ilícitos. Infelizmente, o problema não se resolveu em tempo útil. Talvez ainda se resolva, mas não podemos esperar mais. Obviamente que não nos contenta a mera operação de cosmética que serve para cumprir as exigências da Segurança Social, e que tem aliás um prazo de validade (fim do ano lectivo 2007/2008), e verificamos que nem as condições existentes no início deste ano foram totalmente repostas (continua a faltar uma pivot), nem as sucessivas atitudes do Conselho de Administração nos oferecem garantias de coisa alguma — veja-se a exigência de assinatura de um “contrato de prestação de serviços” cujo conteúdo não nos é dado a conhecer antes do acto de inscrição. E veja-se, também, a falta de noção sobre o bem-estar das crianças ao proceder a trocas de pessoal a torto e a direito ao longo do ano, primeiro em despedimentos sucessivos, depois tentando tapar buracos, depois tentando cumprir directrizes da Segurança Social. Nem vale a pena falar das intenções quanto a decréscimo de qualidade da alimentação ou do ambiente de trabalho insustentável a que são sujeitas as funcionárias, com ameaças e pressões constantes, que elas combatem diariamente com o seu esforço e a sua dedicação. Não temos a mínima confiança em quem toma este tipo de decisões ou tem este tipo de atitudes.
Queremos salientar, como sempre fizemos, a estima que guardamos pela educadora Maria José, que tão bem conhece o nosso filho. Foi uma pessoa muito importante para nós e para ele e nunca esqueceremos o seu papel numa altura tão delicada da vida do nosso filho como foram estes dois anos. Lamentamos imenso esta decisão difícil, sobretudo por ela, pela ligação afectiva que estabeleceu com o nosso filho. Mas também deixaremos com saudade as restantes funcionárias, sobretudo a Fátima, ajudante de acção educativa quando o nosso filho frequentou a sala de 1 ano, a educadora Célia, também tão próxima, e a ajudante Sandra, que acabou por estar a maior parte deste ano com os meninos da sala de 2 anos.
A nossa intenção inicial era que o nosso filho frequentasse o estabelecimento até ir para a primária. Não há condições para que tal se verifique.
Desejamos o melhor possível a todas as funcionárias de Santana e que venham a ter as condições de trabalho que merecem.

Mariana Pinto dos Santos
Olímpio Ferreira

(Esta carta será divulgada no blog da Comissão Instaladora da Associação de Pais e dela será enviada cópia ao Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social)»

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7 Responses to “Carta à Fundação sobre não reinscrição”


  1. 1 Sandra Muller 25 Maio 2007 às 10:11 am

    Também a ti Mariana, tal como anteriormente à Sara, é com uma enorme tristeza que digo adeus.
    Também tu deste um enorme contributo para que as condições dos nossos filhos melhorassem. Estás de parabéns pelo que juntos conseguimos alcançar e só é pena que não tenha sido o suficiente, em tempo útil, para que pudesses ficar no próximo ano lectivo.
    Espero que vos corra tudo bem no futuro e, quem sabe, se entretanto as coisas mudarem, não possas voltar?

  2. 2 Sofia 25 Maio 2007 às 11:26 am

    A minha filha frequenta a sala de um ano da fundação de arroios… De certa forma entendo a indignação dos pais com tudo o que está a acontecer… Acredito também que tudo se faça sentir mais ao nível da casa de santana e não nas outras… No que me toca a mim, a Maria adora andar na Fundação, tem 18 meses e todos os dias que a vou buscar corre pelos corredores para brincar mais um bocadinho, vai à sala despedir-se da excelente auxiliar que temos e nunca se vai embora sem dizer adeus a toda a gente que encontra… Nunca notei que passa-se fome, nunca notei que viesse suja para casa, muito pelo contrário… A preocupação da educadora e da auxiliar da sala, bem como de todas as que a acompanham, dado que infelizmente a minha pequenina é das ultimas a vir embora, oferecem-me total confiança em toda a equipa que acompanha diariamente a minha filhota.
    Seria incapaz de, sabendo o agrado com que a minha filha gosta de lá estar, a tirar de lá e acima de tudo… Os empregados que unanimemente todos nós gostamos, não são culpados do que se passa… e quando nós dizemos que o bom era tirarmos TODOS os filhos da fundação para o sr eng aprender, eu pergunto… e o que é que acontecia a TODA a gente que depende de nós para viver o dia a dia?… Sim todas as educadoras, auxiliares, etc… etc…!!!??
    Volto a dizer que entendo as vossas queixas… Mais que entender, respeito… Mas não sou capaz de concordar com as saídas das crianças e muito menos dos apelos que já tenho ouvido para não se voltar a inscrever… e agradeço a toda a equipa de Arroios o cuidado com que têm tratado a minha pequenina.
    Para todos eles um muito obrigado!
    Sofia

  3. 3 Mariana Pinto dos Santos 25 Maio 2007 às 1:08 pm

    Esta carta vem na sequência de uma decisão muito difícil precisamente por causa da qualidade dos funcionários, como de resto creio estar claro. Não pretende servir de modo algum de apelo a que outros pais façam o mesmo. Cada um que decida o que acha melhor e compreendo perfeitamente que outros decidam doutra maneira, ou nem sequer sintam necessidade de decidir.

  4. 4 Sandra Muller 25 Maio 2007 às 5:48 pm

    Cara Sofia e restantes pais,

    falando enquanto mãe, mas também enquanto membro da CI (mas não por ela), não posso deixar de dizer aqui que nunca a CI fez algum apelo para a não-inscrição das crianças na Fundação e sempre louvou o empenho e a dedicação dos funcionários que directamente lidam com os nossos filhos. São alías somente eles que nos dão garantias de que os nossos filhos estão a ser bem tratados.
    O meu filho vai continuar na Fundação, na casa de Santana, muito pelos laços que criou com as excelentes profissionais que cuidam dele diariamente. Mas tenho de respeitar a decisão de quem não consegue de facto, nem que seja indirectamente, aliar-se a determinados comportamentos de uma administração que gere os estabelecimentos de infância que os nossos filhos frequentam.
    Chamo contudo a atenção para o facto de, das duas saídas que foram tornadas públicas, quanto mais não seja porque implicam um “despedimento” automatico de um cargo (na CI) para o qual foram eleitos, os encarregados de educação demissionários da CI, ressalvarem a pena que têm de o fazer e enaltecerem o trabalho das educadoras e ajudantes.

    Sandra

  5. 5 Célia Penedo 26 Maio 2007 às 1:21 pm

    É com grande tristeza que vejo os filhotes da Mariana e da Sara a sairem da Fundação, mas como mãe também compreendo a sua indignação e preocupação!
    Tenho a agradcer, à Sara e À Mariana, todo o seu empanhenho nesta luta para melhorar toda esta situação.
    Eu, tal como a Sandra vamos manter os nossos filhos na Fundação pois, no meu caso, a minha filha teve uma adptação dificil mas agora adora estar e ir para a ” Escola”, é uma alegria para mim, por todas as pessoas que a rodeiam na Junqueira eu nunca poderia tirar da Fundação.

  6. 7 Teresa 26 Junho 2007 às 11:18 am

    Tenho as minhas duas filhas (6 meses e 3 anos) inscritas na fundação D. Pedro IV (Santana) e no Centro Social e Paroquial da Pena. Neste momento tenho de decidir em qual ficam visitei ambos e fiquei mais inclinada para a Fundação. Resolvi no entanto vir fazer uma pesquisa na Net e deparo com todas estas notícias às quais estava perfeitamente alheia porque não tenho televisão e raramente leio jornais (vivo portanto na ignorância do que me rodeia). Dadas as circunstâncias queria pedir-vos (aos pais de crianças a frequentar este estabelecimento) que me dissessem objectivamente o que se passa, e de que forma isso afecta as crianças a frequentar os estabelecimentos e os funcionários desses estabelecimentos (agora e num futuro próximo) e já agora se souberem responder, o que acontecerá às cresces/jardins de infância no caso de extinção da fundação…
    Muito obrigada e por favor respondam-me depressa porque eu só tenho esta semana para tomar uma decisão! o meu mail é teresaagt@yahoo.com


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