Almoço em Santana (Cont)

Hoje, pelas 12:30, alguns pais e membros da Comissão Instaladora da Associação de Pais, dirigiram-se ao Estabelecimento de Santana, a fim de obterem uma explicação sobre o almoço que estava a preparar-se e que inibia as crianças de tomarem as suas refeições no refeitório e de terem o seu descanso salvaguardado.

Simultaneamente e pelas mesmas razões, duas funcionárias da Segurança Social fizeram uma visita ao infantário.

Apurámos que este almoço acontece todos os anos a convite da Fundação D. Pedro IV, para pessoas relacionadas com os diferentes orgãos da instituição (este ano eram 36 convidados). Enquanto aguardávamos um esclarecimento por parte do Presidente do Conselho de Administração, pudemos testemunhar a passagem nos corredores do infantário de diversas garrafas de vinho e outras bebidas alcoólicas, assim como de terrinas com comida quente. Enquanto isto, as crianças – que tiveram de almoçar nas suas salas ou em espaços alternativos ao refeitório – tentavam dormir na sala adjacente ou, por necessitarem de ir às casas-de-banho, passavam por entre os diversos fornecedores de catering ou pelos convidados.

Após mais de uma hora de espera, fomos recebidos pelo Eng Vasco Canto Moniz.

À pergunta “Como se justifica que as crianças tenham sido privadas do refeitório em prol de um almoço dos Órgãos da Fundação?”, o Eng Vasco Canto Moniz respondeu que o refeitório era da Fundação apesar de serem as crianças quem normalmente o utilizava; que este evento era pontual e comparável a obras ou um cano roto; que as crianças tinham sido salvaguardadas e que não compreendia a apreensão dos pais. Aos nossos argumentos que o refeitório era do Infantário e não da Fundação, que os utilizadores não podem ser prejudicados, que achamos altamente irregular a presença de dezenas de adultos estranhos ao serviço, respondeu que “nas nossas casas cada um faz o que quer”…

Questionado sobre a presença de bebidas alcoólicas no Infantário, o Sr  Eng Canto Moniz, admitiu que sendo um almoço de adultos era natural que fossem  servidas.

Visivelmente irritado, o Eng Canto Moniz acusou-nos  de sermos agressivos (só por termos ido pedir esclarecimentos e dizermos que  não concordamos com o uso do refeitório das crianças para outros  fins) e afirmou que já temos tudo o que queríamos, que não compreende que  usemos todas as pequenas questões para atacar a Administração. Que quer o  diálogo (mas não deixou ninguém falar até ao fim, subindo sempre o tom de  voz), mas que este diálogo tem de ser construtivo.

Por fim, escusou-se a mais esclarecimentos dizendo que tinha os seus convidados à  espera.

9 Responses to “Almoço em Santana (Cont)”


  1. 1 Anónimo 16 Julho 2007 às 3:41 pm

    Pais de crianças da Fundação D. Pedro IV promovem protesto

    In Diário Digital, 16 de Julho de 2007

    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=61&id_news=286302

  2. 2 Carlos Palminha 16 Julho 2007 às 4:42 pm

    O Terrorismo Social da Fundação D. Pedro IV continua… desta vez com as crianças e com os pais. De que está à espera o Governo Português para dar despacho ao relatório nº75/96 e extinguir a Fundação D. Pedro IV? Será esta uma “Fundação Intocável”? Será que os pais têm que esperar pelas próximas eleições para que o Governo resolva o problema que se agrava de dia para dia com as creches da Fundação?
    Porque não denunciar a situação também ao novo executivo da C.M.Lisboa e à governadora civil de Lisboa?

  3. 3 Tiago Mota Saraiva 16 Julho 2007 às 4:50 pm

    Três notas, sobre a notícia do Diário Digital/Lusa para clarificar os factos:

    1.
    Foi referido à jornalista que quando o almoço não podia ser dado no pátio, era organizado na própria sala de aula;

    2.
    A Inspecção Geral da Segurança Social, ao que tenho conhecimento, não fez uma inspecção, mas ter-se-á deslocado mais uma vez ao local;

    3.
    A notícia refere um apelo ao protesto que não fiz. Pedi, isso sim, para que os pais se reunissem na sede da Fundação para que zelassem “pelo direito ao almoço e à sesta na escola dos nossos filhos”.

  4. 4 Mariana Pinto dos Santos 16 Julho 2007 às 10:45 pm

    É profundamente chocante a impunidade deste homem. O meu filho já não está a frequentar a fundação, felizmente, e assim foi salvaguardado de mais este triste episódio. Fico deveras impressionada com a cobertura que a Segurança Social continua a dar a situações como esta ou a inacreditável subida de valor das mensalidades, acima de qualquer outra IPSS, ainda por cima depois do acentuado decréscimo de qualidade que se fez sentir este ano. A minha solidariedade para os pais que se empenham na denúncia de mais este sinal de desrespeito pelas crianças que a fundação tem à sua guarda diariamente, a juntar ao rol dos muitos já existentes.

  5. 5 Anónimo 17 Julho 2007 às 2:22 am

    Lisboa: Pais de crianças em creche da Fundação D. Pedro IV protestam por utilização do refeitório para almoço da administração

    In Sapo noticias, 16 de Julho de 2007

    http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/O5LmnfJ0sHmiD5e7qEJAog.html

    Lisboa: Presidente da Fundação D. Pedro IV desdramatiza protesto de pais

    In Sapo noticias, 16 de Julho de 2007

    http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/yt1iwIoftyzRlFheNL71Rg.html

    Pais contestam almoçona Fundação

    In Jornal de Noticias, 17 de Julho de 2007

    http://jn.sapo.pt/2007/07/17/pais/pais_contestam_almocona_fundacao.html

  6. 6 mariana avelãs 17 Julho 2007 às 9:07 am

    o senhor canto moniz clarificou, e muito bem, o entendimento que tem das casas de infância: são «a casa dele», para as quais convida os amigos que quer e serve as bebidas que quer (acho notável que se compare a um cano roto). que as crianças estejam a poucos metros de estranhos, que o barulho as incomode e que elas sejam privadas de se alimentar no espaço destinado ao efeito (quantos pais inscreveriam os seus filhos numa instituição se lhes fosse dito que as refeições são servidas nas salas onde brincam e dormem?) interessa-lhe muito pouco.
    portanto, nós (pais e contribuintes) financiamos a casa deste senhor; e a segurança social admite-o.
    onde está a utilidade pública da fundação? aparentemente serve para usufruto de gente desta laia; eu estava lá quando os convivas começaram a chegar, e gostava de saber que gente é esta, que se acha no direito de ir almoçar a infantários e permanecer nas áreas frequentadas pelas crianças. se tivessem um pingo de decência (coisa que sabemos desde há muito que o senhor canto moniz & acólitos não têm) recusavam-se a descer tão baixo.

  7. 7 Inês do Carmo 17 Julho 2007 às 10:59 am

    Pelas palavras do Eng Canto Moniz, deduz-se que o refeitório em questão é da Fundação e não do Infantário. Ou seja, por esta ordem de ideias, sempre que o Conselho de Administração assim o entender, poderá “invadir” qualquer das suas “propriedades” e aí fazer o que entenda…

    No entanto, não deixa de ser curioso que no site da Fundação, mais precisamente no descritivo das instalações do Infantário de Santana estejam referenciados dois refeitórios.

    Faz-me lembrar George Orwell.

    E confesso que me preocupa a ideia de que, a qualquer momento, as instalações onde o meu filho esteja possam ser apropriadas por quaisquer dezenas de pessoas que desconheço. Incomoda-me. Se há o dever de afixar o nome de todos os funcionários de um infantário, se há o cuidado de todos os que lidam com as crianças conhecerem quem os vai buscar, quem são os pais, os tios, os amigos, se nós – pais – somos cuidadosos na escolha de um infantário e queremos saber e conhecer quem está com os nossos filhos, como se justifica esta invasão?

    Eu sempre afastei a ideia de deixar os meus filhos com uma ama precisamente por me não ser pacífica a ideia que, numa casa particular, pode entrar e sair quem o seu proprietário quiser. Num Infantário, julgava eu, havia legislação, regulamentos, qualquer coisa (nem que fosse bom senso) que não permitia tal promiscuidade.

    Obviamente foi-nos anunciado que as crianças estavam salvaguardadas. A custo de quem? Das educadoras e das auxiliares que tiveram de ter o dobro dos cuidados com cada criança que necessitasse de sair da sala? A custo de ficarem fechadas nas suas salas?

    Disseram também que é só uma vez por ano. E depois? É uma vez a mais. É a vez que retira a confiança porque para além do acontecimento em si ser perturbador há a questão de princípios. Há uma violação da confiança – que já estava profundamente abalada…

  8. 8 Jorge Ferraz 17 Julho 2007 às 12:07 pm

    Infelizmente, eu já nem acho estranho, nem me choca que o senhor pense que faz da Fundação o que quer; o que me deixa espantado é que ele o diga com a maior das naturalidades.

    E, di-lo porque está crente todos os outros também assim pensam ou fariam. Ou então, porque lho deixam fazer mais ou menos o que quer e têm sempre muita preocupação pelos seus direitos e bom nome.

    Já agora porque não cria uma Casa de Infãncia toda privada e diz que o custo que tem com cada bébé é de quase 700 euros, como faz connosco e com a tutela. Quantos bébes lá teria? Aposta-se? quem lhe pagaria? Será

  9. 9 Jorge Ferraz 17 Julho 2007 às 12:18 pm

    Infelizmente, eu já nem acho estranho, nem me choca que o senhor eng. pense que faz da Fundação o que quer; o que me deixa espantado é que ele o diga com a maior das naturalidades. E o que se passou no almoço com os corpos sociais da Fundação é disso exemplo. Já agora, porque não chás de caridade? É bem mais adequado e perturba menos as crianças.

    E, já agora, o eng. diz essas coisas todas tão naturalmente porque se calhar está crente que todos os outros também assim pensam ou fariam. Ou então, porque lho deixam fazer mais ou menos o que quer e têm sempre muita preocupação pelos seus direitos e bom nome.

    Já agora porque não cria uma Casa de Infãncia integralmente privada e diz que o custo que tem com cada bébé é de quase 700 euros, como faz connosco e com a tutela. Quantos bébes lá teria? Aposta-se? Quem lhe pagaria? Será que teria que ir pedir um subsídio à segurança social?

    Ah, verdade, entidades da segurança social, do Senhor Ministro aos Institutos: quantos portugueses conseguiriam não morrer de fome se tivessem que gastar com cada um dos seus bébes quase 700 euros por mês? E, nestes portugueses não estariam apenas, como é óbvio, os que ganham o ordenado mínimo nacional. Melhor ainda, quantas vezes o estado português já teria declarado insolvência se sustentasse IPSS, demais instituições públicas de acolhimento de crianças e famílias com base no pressuposto de um custo desses por bébé. Mas, é este o valor que a Fundação declara para berçário e parece que ninguém acha estranho; aliás o ano passado até ultrapassou os 700 euros.

    Bolas, que tudo isto é demais.


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