Carta de não renovação de matrícula – IV

CARTA ABERTA À DIRECTORA
DA CASA DE INFÂNCIA DE SANTANA
DA FUNDAÇÃO DOM PEDRO IV
Lisboa, 26 de Julho de 2007
Exmª. Directora da Casa de Infância de Santana da Fundação D. Pedro IV, ***,
Respondendo ao pedido que me foi feito, é com todo o gosto que esclareço, através da presente carta, os motivos que me levaram a não reinscrever a minha filha, ***, na Fundação D. Pedro IV.
No ano passado a minha satisfação com o infantário era grande: as instalações são óptimas, e, sobretudo, a educadora *** e a auxiliares *** e *** estabeleceram uma relação de grande afectividade e proximidade com a minha filha, que várias vezes testemunhei ser recíproca.
Em relação ao pessoal, continuo a só ter palavras de apreço e agradecimento para com as responsáveis da sala para a qual a minha filha transitou no presente ano lectivo, nomeadamente educadora *** e a auxiliar ***, cujo empenho, responsabilidade e relação afectiva com a minha filha são inegáveis. Mas não pude deixar de reparar, desde cedo, que a falta de um terceiro elemento na sala de 1 ano prejudicava o quotidiano da minha filha. Esta situação de instabilidade agravou-se deveras com a irresponsável política de redução de pessoal levada a cabo pela Administração da Fundação D. Pedro IV, e não fora a mobilização dos pais e a subsequente intervenção da tutela, teria optado, sem dúvida, e com grande custo pessoal, por retirar a minha filha da Fundação antes do fim do ano lectivo. A instabilidade a que ela foi sujeita durante este ano lectivo não é admissível, sobretudo para uma criança de 2 anos. Repetidas vezes cheguei ao infantário sem saber em que sala ela estaria e pude constatar que, mesmo com o tremendo esforço do pessoal, as condições mínimas de segurança e higiene não estavam a ser cumpridas. Apesar da constante negação da existência do problema por parte do presidente do Conselho de Administração da Fundação D. Pedro IV (por mim testemunhada pessoalmente em mais que uma ocasião), a reposição, graças à intervenção da Segurança Social, das condições mínimas de funcionamento diminuiu a gravidade da situação. Mas a confiança na administração da Fundação foi definitivamente quebrada, e não existem, a meu ver, quaisquer garantias de que o bem-estar da minha filha fosse salvaguardado no futuro (nomeadamente ao nível da continuidade afectiva, da segurança e da alimentação).
Por exemplo, ao privar as crianças da companhia e guarda das auxiliares ao final do dia para que estas levassem a cabo a limpeza das salas, a Adiministração demonstrou não ter o bem-estar das crianças como prioridade; e, recentemente, ao privá-las do acesso ao refeitório para a realização de um almoço de adultos e ao permitir a permanência de estranhos ao funcionamento do infantário na proximidade de e em áreas frequentadas pelas crianças, disponibilizando inclusivamente bebidas alcoólicas, a Administração deu mais uma vez mostras de irresponsabilidade e de não ter as crianças como prioridade nas suas motivações.
Isto num estabelecimento sujeito a actos de vandalismo (quantos infantários o terão alguma vez sido em Portugal?), onde funcionam empresas privadas, e onde pude testemunhar a presença de seguranças privados (como é possível admitir a sua presença em infantários? e como aceitar, igualmente, a existência de crianças numa situação em que é sentida a necessidade de contratar elementos para garantir a segurança?).
Finalmente, recuso-me a permitir a permanência da minha filha numa instituição que é alvo de polémica constante nos media, que está envolvida em processos legais, e que a própria Assembleia da República reconhece como tendo sido incapaz de assegurar a gestão justa e socialmente responsável de bairros de habitação social.
Reitero o meu profundo agradecimento ao pessoal do infantário, incluindo a directora, a assistente social, e as várias educadoras e auxiliares que tive o gosto de conhecer. Não é, decididamente, por causa delas que optei por não reinscrever a minha filha. O único responsável pela minha decisão é, pelo que foi acima descrito, o Conselho de Administração da Fundação D. Pedro IV, e, sobretudo, o seu presidente, Engº Vasco do Canto Moniz, que, pelas decisões relativamente ao funcionamento do infantário e pelas declarações que ouvi, pessoalmente e nos media, não me inspira a mínima garantia relativamente ao que considero ser fundamental em qualquer instituição a que eu confie a guarda da minha filha durante uma parte considerável do dia: o bem-estar das crianças como prioridade, respeito pelo trabalho do pessoal que toma conta delas, confiança mútua e um registo absolutamente inquestionável no que diz respeito à idoneidade da instituição nas suas várias áreas de actuação.
Atenciosamente,
Mariana Avelãs

1 Response to “Carta de não renovação de matrícula – IV”


  1. 1 - 27 Julho 2007 às 12:02 pm

    Dos pais que acompanharam de perto o desenrolar dos acontecimentos desde o início e que foram a reuniões com o Canto Moniz, e ainda, que tiveram acesso a muitas informações e as coisas que se passam nas creches, haverá algum que fique na Fundação?
    Parece que se vão todos embora. Isto dá que pensar.


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