Dores de crescimento

Pelo Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga in Educare.pt

O seu filho acorda durante a noite aos gritos, com dor nas pernas? Não vê equimoses, vermelhidão, ou inchaço? A criança também não sabe explicar onde lhe dói exactamente? Experimente fazer uma massagem nas pernas. Faça também um aconchego até ele voltar a adormecer. Se ele acordar na manhã seguinte sem dores, e se brincar e se comportar normalmente, possivelmente terão sido de dores de crescimento. É provável que as queixas se voltem a repetir na noite seguinte ou passado alguns dias.
As dores de crescimento são o mais frequente motivo de dor nos membros inferiores em idade pediátrica.
As causas são indeterminadas, não há explicação científica estabelecida para a sua origem. Não estão relacionadas com o crescimento, na medida em que não se iniciam, nem têm maior incidência nas fases de maior crescimento (nos dois primeiros anos de vida e na puberdade) e também porque não se referem às zonas de crescimento ósseo, além de que, raramente, abrangem os membros superiores ou outras zonas do corpo também em crescimento.
A denominação dor de crescimento, apesar de não ter relação com o crescimento, tem o seu uso consagrado na literatura e tem a vantagem de deixar subjacente o seu carácter benigno e transitório. Por não haver uma explicação científica quanto à causa da dor, acredita-se que muitas vezes, os sintomas estão associados a distúrbios emocionais ou situações próprias da idade, como a entrada na escola, o nascimento de um irmão, um conflito familiar, entre outros. A questão emocional não é causa da dor, mas predispõe ao seu aparecimento, assim como o facto de os pais terem sentido na sua infância dores crónicas semelhantes.
Quem sofre destas dores?
Crianças entre os 3 e os 13 anos, com um ligeiro predomínio nas meninas. As crianças sedentárias são mais afectadas.
Onde dói?
Geralmente abrangem os membros inferiores, principalmente na região anterior das coxas, na região poplítea e na barriga da perna ou periarticular (não atingem as articulações). Habitualmente são bilaterais e mal localizadas, porque a criança não aponta com os dedos mas desliza com a palma da mão sobre as áreas dolorosas. São dores que não estão associadas a qualquer inflamação ou vermelhidão, nem equimoses. Não existem outros sinais ou sintomas clínicos.
Quando e como dói?
São dores intermitentes (diárias ou esporádicas), vespertinas (final da tarde) ou nocturnas (normalmente na primeira metade da noite), nunca de manhã ao acordar. Têm uma duração inferior a 30 minutos, sem relação directa com o esforço, e ocorrem durante vários meses ou anos. Desaparecem durante algum tempo, voltando a repetir-se mais tarde, com as mesmas características.
Como tratar?
Normalmente a massagem ou calor local, com ajuda, por exemplo, de um saco de água quente, é suficiente para aliviar os sintomas. Por vezes, pode ser necessário um analgésico, contudo, e dado que a dor é de curta duração, o interesse deste é questionável pois, na maior parte dos casos, a dor desaparecerá antes do fármaco surtir efeito. Se as queixas forem nocturnas e muito frequentes, poderá dar-lhe o analgésico (nomeadamente paracetamol) ao adormecer.
Durante quanto tempo vai o meu filho sofrer?
Regra geral, a maioria das crianças deixa de apresentar crises no prazo máximo de dois anos.
Que exame faz o diagnóstico?
Não existe nenhum exame que permita efectuar o diagnóstico da dor de crescimento. O exame físico geral e o exame do aparelho locomotor, em especial, são normais, assim como o exame radiológico e as provas laboratoriais.
Como distinguir estas dores de uma doença grave?
Se se registarem queixas de dor, inchaço ou rigidez pela manhã ou ao levantar, se existirem outros sintomas para além da dor, se a dor for bem localizada e a criança a conseguir apontar com o dedo, se for referida sempre e apenas no mesmo membro, se surgir durante o esforço, se a queixa for contínua ou se a massagem exacerbar a dor, então será prudente recorrer ao médico assistente.
Deixa marcas para o futuro?
Não. As dores de crescimento são benignas.

Nuno Ferreira – Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga
in http://www.educare.pt © 2000-2008 Porto Editora

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1 Response to “Dores de crescimento”


  1. 1 Reinaldo Britto 18 Junho 2008 às 11:19 am

    Ola Bom dia

    Trabalho com futebol e tenho um atleta de 12 para 13 anos (completará em dezembro) e ele reclama muito de dores na região de fora dos dois joelhos mas nao tem nenhuma sequela no local, nem vermelhidão, nem mesmo temos feitos praticas de corridas por estas dores. Ele sempre sente estas dores no periodo da tarde ou ao cair da noite.
    A mãe quando grávida sei que teve toxoplasmose, mas o garoto aparentemente me parece sadio.
    Tambem gostaria de saber se a falta de velocidade que ele apresenta em campo poderia ser da sequela da toxiplasmose da mãe na gravides, mas será que apresentaria 12 anos depois ? ele não é um atleta rápido mas tem bom raciocínio e é um ótimo aluno na escola.
    Por favor, me de um parecer lógico.

    Um forte abraço

    Reinaldo


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