Arquivo de Setembro, 2008

As crianças e a televisão: idade e quantidade

Pelo Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga| 2008-09-17
Pode ser tentador entreter o seu bebé diante do ecrã (e note-se que ecrã inclui não só a televisão, mas também DVD, jogos de vídeo, etc.), mas a American Academy of Pediatrics recomenda peremptoriamente: “Não o faça!”
A televisão representa para as crianças a mesma atracção que para os adultos: o mundo maravilhoso das descobertas, de poder conhecer realidades longínquas, histórias fantásticas e culturas diversas, sem sair do lugar. Logicamente que programas adequados, que transmitem ideias positivas, podem trazer algum benefício aos nossos filhos, mas não podemos esquecer que o contrário também é bem verdade e que nem sempre as mensagens que a televisão passa são aquelas que, como pais, gostaríamos de transmitir.
Além disso, se nos preocupamos e controlamos o que as nossas crianças comem, quanto tempo dormem, com quem brincam, não devemos controlar também quanto e quando vêem televisão?
Devemos estar conscientes que a televisão, pela importância que adquiriu nos dias de hoje, desempenhando um papel central e ocupando um lugar de destaque na vida da maioria das famílias, pode afectar a saúde da criança.
Antes de mais, aos papás que se preocupam com os riscos e benefícios que a televisão traz aos seus filhos, importa esclarecer desde já que a televisão, só por si, não induz qualquer problema de visão, mesmo quando está muito próxima da criança. De qualquer forma, ver televisão não é uma actividade inócua, e, dependendo da idade da criança, as recomendações são variáveis, de modo que cada criança aproveite só o melhor que a televisão tem a oferecer.

Até aos 2 anos
Os dois primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento da criança. Mesmo com a programação desenvolvida e dirigida especificamente para esta faixa etária, os especialistas mostram grandes reservas, em particular nos casos em que há marcas de brinquedos, jogos ou outros produtos envolvidos. Foi levantada também a hipótese de existir uma relação entre a televisão em idades precoces e o desenvolvimento posterior de PHDA (perturbação de hiperactividade e défice de atenção), embora alguns especialistas da área não concordem e não haja nenhum estudo que comprove esta relação. Está ainda aberta a questão quanto ao potencial impacto positivo que a televisão possa ter nesta idade, enquanto os benefícios da relação entre os pais e filhos estão bem estabelecidos. Portanto, abaixo dos 2 anos, falar, cantar, ouvir música, jogar, ler e brincar são de longe actividades muito mais importantes do que qualquer programa de televisão.

A partir dos 2 anos
A partir desta idade, e até à adolescência, as recomendações dos especialistas não são tão veementes e a regra deve ser o bom senso. Alguns estudos mostraram até que em crianças entre os 3 e os 5 anos, devidamente doseado e com programas seleccionados, ver televisão pode melhorar discretamente a performance de leitura. No entanto, se o seu filho perder demasiadas horas diante do ecrã, em detrimento de outras actividades, como a leitura (a ler ou a lerem-lhe) ou a música, isso poderá afectar as suas capacidades cognitivas, uma vez que ver televisão é uma actividade muito mais passiva que exige muito menos do cérebro.

É inegável que a televisão, expondo os conteúdos certos, é um excelente meio de entretenimento e de educação, alargando horizontes e mostrando coisas às quais sem elas muitas pessoas nunca teriam acesso.
Segundo a AAP,as crianças desta idade não deveriam ver mais do que 1 a 2 horas de programas de qualidade por dia, pois os riscos de ver muita televisão são bem conhecidos e estudados: obesidade, alteração dos padrões de sono, violência e agressividade, comportamentos de risco, estereotipagem (muitas vezes de forma errada) racial e dos papéis de género.

Joana Dias,com a colaboração de Augusta Gonçalves, pediatra do Hospital de São Marcos em Braga

in http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo

APELO

Caros Pais:

Isto é um apelo. Sem duvida é importante que nos organizemos para dar um novo fôlego à nossa Associação de Pais e Encarregados de Educação (cuja constituição já foi publicada no DR).
Era bom que se juntasse, o mais rapidamente possível, um pequeno grupo de pessoas para planear a assembleia geral. Deve integrar pelo menos um membro de cada estabelecimento e, idealmente, um membro de cada grupo de cada estabelecimento. Com certeza que se juntarão os antigos membros da comissão instaladora para fazer a passagem de testemunho.

Como vamos organizar o encontro do grupo de voluntários para preparar a assembleia geral? Aguarda-se propostas, e o contacto dos eventuais voluntários (indicar nome, creche, sala, e email) para paisdpedroiv@gmail.com. Talvez seja possível agendar esta reunião de preparação até ao fim do mês de Setembro, para preparar uma assembleia geral a ter lugar na primeira quinzena de Outubro.

Passa palavra…

Comunicado – Novo Ano Lectivo, novo Regulamento Interno

A CI descobriu que houve pelo menos duas alterações no novo regulamento (de 17/7/2008) relativamente ao regulamento do ano anterior (de 29/6/2007). Estas alterações fundamentais são:

1ª: – foi introduzida a obrigatoriedade de assinatura de um contrato de prestação de serviços.
Aqui ressalvamos que não é o contrato em si que está em causa (parece ser uma obrigatoriedade para a Certificação da Qualidade), mas sim o facto de mais uma vez a Fundação D. Pedro IV colocar os encarregados de educação perante factos consumados, numa altura em que estes já não tem outras opções para matricular os filhos. Para além disso, nunca houve uma consulta quer aos pais em geral, quer à CI (que os representa) em particular sobre o conteúdo desse mesmo contrato.
No passado, a CI havia solicitado ser consultada e poder avaliar o conteúdo do contrato a tempo de, eventualmente, propor alterações. Ou seja, a CI sugeriu que a redação do contrato fosse feita em estreita colaboração Fundação-Encarregados de Educação.
A “resposta” que obtivemos a esta solicitação foi a não apresentação do contrato para ser assinado.

2ª – foram retirados os Artigos 32º (Direitos do Pessoal) e 33º (Deveres do Pessoal), que citamos aqui:

Artigo 32º Direitos do Pessoal

São direitos dos funcionários e colaboradores:
Beneficiar do cumprimento da legislação em vigor;
Ver garantido o respeito por si e pelo trabalho que efectuam;
Ter acesso atempadamente a escalas e horários de trabalho, funções e tarefas que lhes são atribuídas;
Ter acesso a acções de formação

Artigo 33º Deveres do Pessoal

São deveres dos funcionários e colaboradores:
Cumprir a legislação em vigor, em especial:
Ser pontual, assíduo e cumprir com zelo e eficiência profissional as funções que lhes são atribuídas;
Cumprir as orientações que lhes são dadas pelos seus superiores;
Cumprir as disposições do presente regulamento;
Cumprir o sigilo profissional, respeitando a individualidade dos utentes;
Tratar com isenção, imparcialidade, dignidade e amabilidade os utentes e seus familiares/responsáveis;
Comunicar as ocorrências de interesse para o bom funcionamento do serviço;
Utilizar cuidadosa e adequadamente os equipamentos, materiais e produtos necessários à execução das suas tarefas, responsabilizando-se pelos danos que possa causar;
Respeitar os colegas de trabalho, colaborando em equipa;
Participar nas reuniões de funcionários e colaboradores para que seja convocado;

Os dois Artigos acima mencionados foram substituídos pelo novo e lacónico Artigo 32º, que aqui citamos também:

2. A selecção e recrutamento do pessoal são da responsabilidade dos Serviços da Fundação.

Este é um exemplo da omnipotência da direcção (que tem vindo a aumentar) e que contribui em grande medida pelo mau ambiente que se sente nas instituições.
Só mesmo quem não quer ver não repara no enorme desequilíbrio neste “contrato” quando comparamos os direitos e deveres dos vários intervenientes no processo educativo dos “utentes” na FDPiv (administração, pessoal das creches, e encarregados de educação).

Professores, pais e partidos da oposição querem alargamento da rede pré-escolar

Turmas mais pequenas, escolas com melhores condições e o alargamento da rede pré-escolar continuam a ser reivindicações dos professores, pais e partidos da oposição, enquanto o Governo garante já as estar a concretizar, escreve a Lusa.

A FENPROF defende a «criação das condições necessárias para que 70 mil crianças tenham acesso ao sistema público da rede pré-escolar».
«A anunciada reestruturação da rede escolar, a nível de escolas do primeiro ciclo, foi a maior mentira do Governo. Anunciaram que iam ser construídas novas instalações e isso não veio a acontecer», afirmou Luís Lobo, da direcção da FENPROF.

330 escolas secundárias requalificadas até 2015

Estas críticas são partilhadas pelo deputado comunista Jorge Pires, lembrando que, nos últimos três anos, encerraram mais de 2.500 escolas e «mais algumas centenas» fecharão sem que outras sejam construídas: «O problema de degradação do parque escolar não teve solução até agora».
Fonte do Ministério da Educação adiantou que «não há previsões» de mais encerramentos, sublinhando que «o grosso do movimento está feito». «O reordenamento da rede escolar está lançado e tem nos novos centros escolares o mais recente factor de racionalização», acrescentou a mesma fonte.
O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida, espera que este ano lectivo marque o arranque de muitos centros escolares, que estão já estão assinados com o Governo.
«Os centros escolares incluem uma coisa que nos preocupa muito que é uma oferta para o pré-escolar», disse, defendendo que é necessário chegar «rapidamente a uma cobertura de 100 por cento da oferta pública».
(…)
Para o deputado do CDS/PP, José Paulo Carvalho, o anunciado alargamento da rede do pré-escolar e a requalificação das escolas são «medidas positivas se o Governo as conseguir desenvolver e pôr em prática»: «Já estamos habituados a muita propaganda que depois não se concretiza».
A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) espera que o novo ano lectivo seja uma oportunidade de «reforço da qualidade da educação», que consiste em «condições de trabalho nas escolas para os alunos, professores e trabalhadores não docentes», o que passa pela redução do número de alunos por turma.

Fonte: http://diario.iol.pt/

A partilha de doenças entre os mais pequenos

Diário de Notícias 07.09.2008 – ANA BELA FERREIRA

Infantários. Para muitas crianças, a entrada no infantário significa a primeira experiência com o mundo real. Especialistas defendem brincadeiras ao ar livre para criar mais defesas. A vacinação é outra forma de evitar contágios infantis
Também é bom que as crianças vão adoecendo para ganhar defesas

Os infantários representam o primeiro contacto das crianças com outras crianças, que aqui ficam enquanto os pais trabalham. Mas se o crescimento com outras crianças é aconselhável, a partilha entre elas também pode ser um foco de doenças. Para João Calheiros Lobo, ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, “os infantários são, hoje em dia, um mal necessário”. A maioria das crianças entra pela primeira vez para a creche por volta dos três anos de idade, mas existem também muitos que chegam antes de completar um ano de vida, tornando-os mais vulneráveis aos contágios.

Nesta altura do ano, milhares de crianças enfrentam pela primeira vez o drama da separação dos pais. Além desta ruptura, há outro fantasma que preocupa os pais: os vírus que os seus filhos podem apanhar. De forma a evitar estas doenças mais comuns, “as crianças devem levar as vacinas obrigatórias e também as que são mais aconselháveis, como as da hepatite A, varicela e gripe”, sugere João Calheiros Lobo. “A vacinação é o primeiro passo para evitar os contágios mais frequentes”, explica.
Após esta prevenção, “as crianças devem sujeitar-se ao convívio”, refere o pediatra. A partilha de brinquedos e o contacto durante as brincadeiras podem desencadear o contágio de algumas das doenças mais frequentes. De facto, “viroses, bronquiolites, gastroentrites e a varicela afectam mais as crianças que estão em contacto directo com outras crianças” explica a pediatra Guiomar Oliveira.

A solução em caso de má disposição é deixar a criança em casa ou levá-la ao médico. “Se há conhecimento de virose ou febre, os pais devem levar a criança ao médico e mantê-la em casa para evitar o contágio”, aconselha Sónia Alagoa, educadora de infância há 14 anos. Já Maria do Canto Moniz, educadora de infância e psicóloga, tem dúvidas que os infantários sejam os espaços privilegiados de contágio. “Às vezes as crianças andam constipadas e os pais também estão, por isso, não acredito que seja só o colégio”, esclarece.

Quanto às viroses “nem sempre se pode prever quando aparecem, por vezes as crianças estão bem de manhã e depois é que ficam doentes. Mas, se os pais percebem que a criança não está bem não a devem levar à escola”, aconselha Maria do Canto Moniz, que há 40 anos é educadora de infância.

A exposição dos filhos às doenças são sem dúvida uma das grandes preocupações dos pais, mas os especialistas não esquecem que também é importante que as crianças estejam em contacto com os outros e que adoeçam. “Embora ninguém goste, também é necessário que as crianças vão adoecendo, porque ganham defesas mais rapidamente”, sublinha João Calheiros Lobo. As doenças que os mais novos enfrentam devem ser encaradas “como provas de vida que são superadas”, acrescenta Maria do Canto Moniz.

Hoje em dia as crianças são demasiado protegidas do mundo exterior. Por isso, Sónia Alagoa apela: “Era bom que os pais deixassem os filhos brincar no jardim, com terra, que os deixassem sujar-se e molhar os pés”. Na maioria dos casos as crianças só têm estas experiências quando vão para o infantário e é por isso “que estão sempre doentes”, conclui.

Diário Notícias – 07.09.2008

DIVULGAÇÃO – Resposta do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, à PETIÇÃO EM PROL DAS CRIANÇAS DE CRIMES SEXUAIS

Informa-nos um dos mentores da acima referida petição, o blog Comadres, Compadres e Cª, do seguinte:
Sobre a Petição em Prol das Crianças Vítimas de Crimes Sexuais, a Dra. Clara Sottomayor informou-nos por mail a 8 de Agosto, que recebeu, na qualidade de primeira signatária, resposta do Chefe da Casa Civil do Presidente da República, José Manuel Nunes Liberato, delegado por competência para o efeito por Sua Excelência, o Presidente da República, à carta por si remetida a 3 de Janeiro do corrente ano, na qual se expunha a pretensão da Petição e se solicitava uma audiência.
Seguidamente citamos passagens da referida resposta, que nos facultou a Dra. Clara Sottomayor, para divulgação no CC&Cª e a demais signatários:
“Quanto à pretensão requerida do envio de uma mensagem à Assembleia da República, compreenderão V. Exas. que no quadro constitucional das suas atribuições, apenas ao Presidente da República cabe, por sua única iniciativa, escolher os temas e a oportunidade do exercício do direito de dirigir mensagens àquele órgão de soberania.
Em face destes esclarecimentos, informo V. Exas. que se não justifica a concessão da audiência solicitada.”
Salientamos que pretendemos publicar a carta na íntegra, no momento em que a mesma nos for facultada pela Dra. Clara Sottomayor, que se encontra actualmente de férias, motivo pelo qual ainda não tivemos acesso à referida resposta e tardámos a informar-vos sobre a mesma.
Sendo que a 29 de Abril deste ano Sua Excelência, o Presidente da República, ainda não tinha respondido à carta supra citada, que lhe foi remetida, entregámos a Petição em mão na Portaria do Palácio de Belém, com as 13072 assinaturas recolhidas, manuscritas e on-line.

No CC&Cª, consideramos no mínimo pouco razoável que Sua Excelência, o Presidente da República, tenha levado 7 meses a responder aos 13072 Portugueses que assinaram a referida Petição.
Aguardamos ter acesso à carta na íntegra, para decidirmos quais as acções que iremos tomar, porque não basta “preocupação institucional”, urgem acções efectivas em salvaguarda das crianças perante a ignomínia que é a Pedofilia e o Abuso Sexual de Menores.
Independentemente de quaisquer obstáculos, o nosso alento nesta causa persiste e continuaremos a lutar, assente no vosso apoio e empenho.
A todos vós muito obrigada.

Queixa sobre funcionamento de Estabelecimento de Infância – cont.

No que toca à Queixa sobre funcionamento de Estabelecimento de Infância, podemos comunicar os seguintes desenvolvimentos:

“A pressão psicológica exercida foi de tal forma que algumas funcionárias mal me dirigiam palavra. Apesar de não estar identificada a autora da queixa, foi possível comprovar, pelas reacções das funcionárias, que todas sabiam. Ao fim de algum tempo encontrei a mãe da bebé, referida na minha queixa, e confesso fiquei bastante mais aliviada. A mãe confrontou a directora do estabelecimento que, mais uma vez, negou os factos, mais não seja o meu alerta serviu para se redobrar a vigilância sobre os comportamentos de algumas funcionárias menos escrupulosas.  Ao longo deste tempo a minha filha tem sido tratada “nas palminhas das mãos”, o que fez com que eu me tenha sentido culpada de querer apresentar queixa, e tenha feito com que protelasse esta reclamação. Talvez inconscientemente eu tenha tido medo que fossem exercidas represálias nos meus filhos. Depois de ter consultado algumas pessoas ligadas à área escolar, constatei que estes problemas são até bastante comuns em alguns colégios e, por forma a evitar a transferência precoce dos meus filhos para outro colégio, sem qualquer recomendação e temendo estar a colocar os dois numa situação pior, optei por mantê-los na instituição. O meu filho que frequenta a sala dos três anos tem tido um bom acompanhamento por parte da educadora, os problemas existentes derivam, não da falta de competência da equipa que o acompanha (educadora e AAE) mas de orientações superiores que determinaram alguns cortes no pessoal.”


Divulgação Cultural

Blog Stats

  • 231,820 hits