Arquivo de Dezembro, 2008

Saúde oral nos bebés – Quando esperar e como cuidar do dentinho do seu bebé

Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga| 2007-10-03

O primeiro “dente de leite” (decíduo) surge, geralmente, por volta dos seis meses de vida, apesar de poder aparecer antes desta altura ou mesmo depois do primeiro ano. Nestes casos, não existem, geralmente, motivos para alarme. É importante ter a noção de que cada criança tem o seu próprio ritmo de dentição. Podem existir dentes ao nascimento sem que isso seja anormal. No entanto, nestes casos, está indicada uma consulta odontológica precoce para avaliação, informação dos pais e eventualmente para a sua excisão pelo perigo de queda e de serem engolidos pelo bebé.
A dentição é um processo dinâmico que começa ao quarto mês de gestação e que termina na idade adulta com o aparecimento dos “dentes do siso”.
Os primeiros dentes que surgem são os incisivos centrais inferiores, pouco depois os incisivos centrais superiores logo seguidos dos incisivos laterais. Aproximadamente aos 14 meses surgirão os primeiros molares e cerca de 4 meses depois os caninos. Aos dois anos e meio, a criança terá, em princípio, todos os seus “dentes de leite”

Cronologia e tempo habitual de aparecimento dos “dentes de leite”

1.    Incisivo central inferior    –    6 meses
2.    Incisivo central superior    –    6,5 meses
3.    Incisivo lateral            –    7 meses
4.    Primeiro molar        –    14 meses
5.    Canino                –    18 meses
6.    Segundo molar        –    24 meses

A erupção dentária pode cursar com alguma irritabilidade, incómodo, choro ou diminuição do apetite. O bebé pode babar-se mais que o habitual, levar as mãos à boca e procurar morder tudo o que apanhar. Apesar dos sintomas e sinais associados à dentição serem variados e perturbadores para o bebé, e para os pais, nem todos devem ser atribuídos logo à partida a este processo. Por exemplo, a febre elevada ou persistente deve ser devidamente contextualizada e não atribuída ao processo de erupção dentária.
A limpeza da boca do bebé deve ser iniciada logo que surja o primeiro dente (Tabela 2).

Limpeza da boca e dentes:

1. Com um ou ainda poucos dentes, limpar com uma gaze seca ou humedecida em água, usando o dedo indicador, ou então, usar uma escova adequada a bebés;
2. Quando o bebé tiver mais dentes, usar uma escova dentária de cabeça pequena e cardas suaves;
3. Os “dentes de leite” escovam-se em forma de varrimento, horizontalmente;
4. Nos bebés pequenos não utilizar pasta dentífrica para não impedir a visibilidade dos pais e para não ser engolida;
5. A partir dos 5-7 anos, a criança poderá lavar os dentes de forma independente.

Não se esqueça de fazer da lavagem dos dentes um “ritual” e de lhe ensinar a técnica correcta. Assim, o seu filho(a) não esquecerá de o fazer sistemática e correctamente.
Tenha em atenção e cuide dos dentes do seu bebé.
A saúde oral começa com o primeiro dente. A saúde oral depende de uma cultura de ensinamento. A saúde oral do seu filho agora e no futuro depende de si.

Henrique Soares in http://www.educare.pt

Terrores nocturnos

Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga | 2008-03-05

O que fazer quando o seu filho acorda à noite, assustado, acreditando piamente na presença de monstros e fantasmas debaixo da sua cama? Como lhe poderá transmitir segurança?
Os terrores nocturnos são comuns nas crianças entre os 2 e os 5 anos. Raramente se relacionam com objectos ou acontecimentos, mas sim com o medo de perder a mãe, do esquecimento do pai, medo do escuro, de alturas, de animais ferozes, de ladrões maus, de crianças agressivas, etc.
Nesta idade, as crianças lutam para distinguir o real do imaginário. O sentimento de medo é real, por mais absurdo e fantástico que lhe possa parecer. Deve-se, por isso, evitar a minimização dos seus sentimentos. Para transmitir segurança ao seu filho não se deve mostrar ansioso e tal só é possível se estiver consciente que estas situações são perfeitamente normais. Segundo o pediatra T. Berry Brazelton, o medo surge quando a criança toma consciência dos seus próprios sentimentos ‘agressivos’ e da sua capacidade de ser ‘má’.
Seguem-se algumas sugestões que poderá seguir nestas situações:
1. Acenda a luz.
2. Conforte-o, abraçando-o.
3. Ouça os seus receios com atenção.
4. Respeite-os, porque o medo que sente é real.
5. Uma explicação honesta não valerá a pena.
6. Diga-lhe que os pais estão no quarto mesmo ao lado e que não irão permitir que algo lhe aconteça.
7. Dê-lhe a oportunidade de enfrentar e resolver os seus problemas sozinho, com os seu próprios recursos.
8. Ofereça-lhe um objecto de conforto, como, por exemplo, o seu peluche preferido ou deixe uma luz de presença acesa.
9. Não se recomendam atitudes de superprotecção, uma vez que poderão prolongar o medo.
10. Durante o dia, sempre que se proporcionar, tente abordar o assunto.
11. Procurem encontrar soluções em conjunto para enfrentar o medo:
– Antes de dormir, dê-lhe um beijo especial, com “poder de afugentar os maus”;
– Pegue na vassoura e “varra” para fora do quarto os medos;
– Compre um peluche que seja “um poderoso guardião do quarto”‘;
– Espalhe umas gotas de um “perfume mágico” que tornarão o quarto impenetrável;
– Espreite debaixo da cama e o interior dos armários para demonstrar que estão vazios.
Se os sintomas persistirem e se não conseguir ajudar o seu filho, será aconselhável que procure a ajuda de um psicólogo ou de um pedopsiquiatra.

Susana Nunes, interna complementar de Pediatria in http://www.educare.pt


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